Brasil, a charge das charges

O Brasil não conhece o Brazil. E um Ministério de Justiça deveria comprar um quadro da charge em questão e pendurá-lo na parede, como lembrança de que vivemos dias nazistas; na pátria do Carnaval e do bom humor; dias de luto. Dias...em que pessoas dormem e não acordam na manhã seguinte, pois lhes faltou algo vital: o oxigênio

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A arte é auto expressão lutando para ser absoluta, tal pensamento de Fernando Pessoa é sublime e nos alerta que existe um mundo reflexivo vigente, e que querem soterrá-lo. Não se pode entregar a alma aos inimigos. E quem seriam estes “inimigos”? A própria invídia é um dos inimigos do Homem. 

O Mar Vermelho começou a se abrir, e o povo escravizado irá passar, ele está sedento de liberdade, mas não a liberdade armada, ou a liberdade que solta fogos de artifício contra um dos Três Poderes da República (coisa pública). O poder Judiciário foi atacado e ameaçado pelo poderio anárquico de um movimento chamado de bolsonarismo: colocando em risco a dignidade do tripé que sustenta a sociedade civil; e ferindo a ética e a moral.

Há balbúrdia, há injustiça, e há a necessidade de equilíbrio. Os brasileiros arrastam correntes em meio à lama da censura. Querem a arte sufocada, sem viço e sem humor. Um chargista proficiente está sendo processado e retaliado. Academicamente sabemos que cada fotografia, ou imagem, possui o atributo do studium, que é a decodificação da mensagem por parte do receptor ou público de forma mais ampla ou conotativa. Cada pessoa tem uma cultura, ou um trauma, e é desta forma que se dá a interpretação além do lugar comum nas entrelinhas do processo de significação dos conteúdos imagéticos.

A palavra charge traduz exagero, carga: é um estilo de linguagem visual rico que traz a sátira à tona, buscando um absoluto triunfo da arte contra a dor, contra a injustiça, contra o despautério, ou contra a tirania ao longo dos governos do mundo. E não foi diferente, quando o cartunista, chargista, músico, e apresentador do Canal Brasil 247 (Aroeira) criou mais uma de suas bem humoradas (e talentosas) charges, recentemente.

O artista não contava que o Ministério da Justiça teria uma posição totalitária ao comentar o desenho, classificando tal obra como um perigo contra a integridade do Estado. Todos os cartunistas do Brasil e mesmo do mundo estão sob fogo cruzado, e literalmente já houve realmente um massacre no qual 12 chargistas do (jornal) Satírico Charlie Hebdo foram assassinados, em Paris, em 2015.

A radicalização gera frutos amargos, e o nosso Brasil do Jeca Tatu, hoje possui uma sociedade armada, preconceituosa e amarga. Na música, não temos boas letras, nem boas músicas, nas artes em geral desejam arrebatar a criatividade, e no lugar querem impor o azul e o rosa como a marca de gado, num ato discriminatório sem par. 

Não se fazem mais “meninos maluquinhos” como antigamente. Agora a inteligência de nomes como o de Ziraldo, Daniel Azulay, Aroeira e outros tantos inspirados/iluminados vem sofrendo a volúpia do mantra "infecto religioso" que negicia "suco de uva orado" por 1.000 reais, assim como se deu, durante a Idade Média católica. Lá, o clero vendia um possível fragmento da cruz do calvário de Cristo de porta em porta. Lutero ficou muito incomodado com isso, afinal o lucro precisava ser popularizado.

E então surge o protestantismo, que se expandiria aos quatro cantos da Terra. Hoje a negociata nos Templos, que na verdade significa tempo, criou um exército de fiéis que cegos caminham para o abismo. E como está escrito em Mateus 15-14, Jesus diz “Deixa-os, eles são guias cegos guiando cegos”. E assim é a condução do infeliz povo “apelidado de gado”, ele caminha cego para o abismo da intolerância, do desemprego, e da desumanidade.

O Brasil não conhece o Brazil. E um Ministério de Justiça deveria comprar um quadro da charge em questão e pendurá-lo na parede, como lembrança de que vivemos dias nazistas; na pátria do Carnaval e do bom humor; dias de luto. Dias...em que pessoas dormem e não acordam na manhã seguinte, pois lhes faltou algo vital: o oxigênio. Aqui nesta terrinha, o isolamento salvador, em tempos pandêmicos, é sinônimo de vagabundagem. Por isso o Brazil com z é a charge das charges.

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