Brasil arrependido de ter votado em Bolsonaro derrota fascismo e repudia neoliberalismo

Os resultados das eleições municipais não deixaram dúvidas: a população disse retumbante NÃO ao fascismo bolsonarista ultradireitista e ao seu fiel coadjuvante, o neoliberalismo

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Vitória conservadora 

Os resultados das eleições municipais não deixaram dúvidas: a população disse retumbante NÃO ao fascismo bolsonarista ultradireitista e ao seu fiel coadjuvante, o neoliberalismo, como orientação para nova política econômica e social, preferencialmente, conduzida por forças conservadoras.

Ela se estressou, demasiadamente, com a neurose bolsonarista fundamentalista que embalou o país em manobra diversionista para fugir do assunto principal que a interessa: crescimento da economia com geração de empregos e melhor distribuição de renda.

Foram repudiadas nas urnas medidas neoliberais, porque:

1 – aumentaram o desemprego;

2 – aprofundaram a desigualdade social;

3 – eliminaram direitos e conquistas sociais que resultaram em arrocho salarial e desesperança quanto ao futuro;

4 – geraram descaso completo em relação à saúde, mediante negacionismo da pandemia e adoção de postura anticientífica governamental, associando-se ao fundamentalismo ideológico;

5 – intensificaram descontentamento e divisão social decorrente da mistura entre política e religião, jogando por terra o Estado laico como conquista civilizatória;

6 – optaram pelo antinacionalismo no plano econômico, que fragiliza soberania nacional, ao radicalizarem austericídio ultraneoliberal; e

7 – desconsideraram o Estado como agente econômico essencial, fator de equilíbrio social democrata entre as classes sociais, desestabilizando o sistema federativo que aprofundou falência financeira municipal, no compasso do teto de gastos sociais.

Xeque-mate no ajuste fiscal

As consequências deletérias geradas pelo neoliberalismo politicamente negacionista e economicamente suicida aprofundaram expectativas negativas, colocando cunha entre a economia da produção e do consumo, de um lado, e a economia, meramente, especulativa de outro, como resultado do congelamento fiscal, por 20 anos, que sacrificou setores sociais em favor dos especuladores da dívida pública.

Desorganizou-se, completamente, a economia.

As declarações dos prefeitos eleitos das duas mais importantes metrópoles, São Paulo, Bruno Covas, PSDB, e Eduardo Pares, DEM, Rio de Janeiro, de que a prioridade, para eles, será geração de emprego e cuidado com a saúde da população, ambas deterioradas pelo austericídio fiscal, condenaram o bolsonarismo neoliberal ultrarradical.

A partir de agora, os prefeitos eleitos, maioria de centro, defenderão outras alternativas políticas e econômicas.

A prioridade pós-eleitoral não será defesa de mais ajuste fiscal, como prega o mercado financeiro, mas mais gastos sociais, para enfrentar segunda onda da pandemia do novo coronavírus e ameaças de recessão.

Nesse sentido, a manutenção do teto de gastos entra em estresse total, sob ataque, agora, não, apenas, da esquerda derrotada, mas do centro-direita, vencedor.

A esquerda, especialmente, o PT, amplamente derrotado nas capitais, graças à disseminação do antipetismo, erguido pelo lavajatismo ideológico, embalado por narrativa midiática oligopolizada, vai ter que fazer ajuste consigo mesmo, para se sobreviver, eleitoralmente.

Essa necessidade se tornou imperativo categórico, para que seu programa de reconstrução nacional, considerado necessário, ganhe apoio e credibilidade popular, na disputa presidencial de 2022.

Aparentemente, o vitorioso “bolsonarismo sem Bolsonaro”, comandado pelo Centro/Centrão, venceu, visto que ambos abraçaram, até agora, o neoliberalismo bolsonarista.

Essencialmente, porém, tal assertiva é relativa, porque o mercado financeiro, diante da crise econômica, dificilmente, conseguirá obter, no Congresso, apoio desses dois segmentos conservadores para a sua defesa de 1 – supressão do Auxílio Emergencial; e 2 – manutenção do teto de gastos.

Perigo de dolarização econômica

Bolsonaro, certamente, avaliará, diante de sua bancarrota nas urnas, se insiste na eliminação do Auxílio Emergencial, aprovado pelo Congresso, ou se apoia, irrestritamente, Paulo Guedes e mercado, dando as costas aos novos prefeitos, reativos ao austericídio fiscal.

O cenário pós-eleitoral coloca, de imediato, ameaças econômicas e sociais, explosivamente, contraditórias: de um lado, pressão inflacionaria, na economia real – na produção e no consumo; de outro, porém, perigo de hiperinflação, se, para combater a inflação, o governo elevar a taxa de juros, como prega o mercado.

Como a dívida pública carrega na sua barriga inflação financeira incontrolável, esta força fenômeno hiperinflacionário quanto mais o mercado, para defender reformas neoliberais, alardeia que crescimento dela se aproxima de 100% do PIB, criando ambiente especulativo incontrolável.

Por outro lado, se os juros, em vez de subirem, baixarem, como forçam os BCs dos países capitalistas desenvolvidos, haveria corrida ao dólar.

Não estaria descartada dolarização forçada da economia.

Por isso, Paulo Guedes, para evitar essa possibilidade, admite usar reservas para pagar dívida, aliviando perigo hiperinflacionário.

Passada eleição, dívida pública vira bomba atômica.

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