Brasil como ameaça global - problemão de Jair

"Não à toa, o Brasil é hoje considerado o cemitério da COVID no mundo, com 3 mil mortes por dia, em índice de mortalidade superlativo e de superação diária. Pois esse personagem, que sonha em implantar uma ditadura no Brasil e criar a dinastia Bolsonaro, aos poucos vai se transformando numa ameaça concreta ao mundo", escreve Florestan Fernandes Jr.

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(Foto: Chico Batata/Divulgação | Marcos Corrêa/PR)


Por Florestan Fernandes Júnior, para o Jornalistas pela Democracia 

Cada dia me convenço mais de que Bolsonaro é como aqueles loucos caricatos, conhecidos na cultura popular como os “Napoleões de hospício”. No caso de Bolsonaro, o delírio monomaníaco usurpa a personalidade do ex-ditador Augusto Pinochet. Um louco, que detém o poder e possui milhares de admiradores, que creem e embarcam nessa megalomania.  

As deficiências cognitivas do capitão, entrelaçadas com a falta de empatia e incapacidade de remorso, tornaram o “Mito” um ser altamente complexo e perigoso.  

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Bolsonaro tem baixíssima tolerância à frustração. O fato é que a realidade, pra ele, se limita ao círculo de 2 metros de diâmetro, cujo centro é a própria cabeça. Não vê e não crê no que está fora desse círculo.  

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O homem que diz dormir com arma sob o travesseiro, tem mania de perseguição, não confia em ninguém além dos filhos. Fatos curiosos denotam seu estranho pânico de envenenamento: quando parlamentar, bebia água da torneira, temendo que tivessem contaminado a água da geladeira; já afirmou que quando lhe prescrevem manipulados, pede que a receita tenha “um nome de fantasia”, pois “podem me envenenar, pô!”   

Em apenas dois anos no poder, Bolsonaro tem inflamado as massas com discurso de ódio. Ataca os poderes constituídos, as liberdades e o Estado democrático de direito. Iniciou uma cruzada armamentista, tratada como prioridade em seu governo.  

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Seu Ministro do Meio Ambiente “abriu a porteira” para o desmatamento e queimadas na Amazônia, facilitou o avanço das mineradoras em áreas protegidas e em terras indígenas. Liberou para uso agrícola, agrotóxicos altamente nocivos à saúde, muitos deles proibidos em vários países, numa “marcha do veneno” que nem a pandemia foi capaz de obstar.  

Mais recentemente, seu governo foi omisso na contenção da altíssima mortalidade de indígenas por conta do Covid. Há etnias inteiras dizimadas e os yanomami e ye'kwana foram fortemente afetados.

Bolsonaro, com seu comportamento negacionista em relação a Covid-19, tem comprometido as ações de governadores e prefeitos na adoção de medidas que visam restringir a circulação de pessoas (sabe-se que a mobilidade é fator preponderante na disseminação do vírus) e nas medidas sanitárias propostas pela OMS para o combate ao Coronavírus.  

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O presidente promove aglomerações, critica o uso de mascarás, desacreditou vacinas, esnobou os fabricantes destas e propõe como panaceia o tratamento precoce da doença, com medicamentos sem comprovações cientificas. Ao invés de medidas eficazes de combate à doença, um ‘kit ilusão”. Pior, seu Ministério da Saúde incentiva o uso dessas drogas comprovadamente ineficazes, induzindo ao erro que pode ser fatal. Como a dos dois irmãos gêmeos, Genilton e Jailson Rodrigues, que morreram no mês passado em Ponta Grossa (PR) após tomarem o 'kit Covid'.        

Não à toa, o Brasil é hoje considerado o cemitério da COVID no mundo, com 3 mil mortes por dia, em índice de mortalidade superlativo e de superação diária. Pois esse personagem, que sonha em implantar uma ditadura no Brasil e criar a dinastia Bolsonaro, aos poucos vai se transformando numa ameaça concreta ao mundo. Não uma ameaça militar, como a que ocorreu com o surgimento do nazismo, mas efetiva ameaça de expor o planeta inteiro às variantes do vírus, produzidas neste verdadeiro criadouro chamado Brasil.                                                                           

Por conta de tudo isto, a pergunta que não cala:  estaria sendo formado um ambiente político internacional favorável para que o Conselho de Segurança da ONU, com base no princípio da “responsabilidade de proteger”/intervenção humanitária, discutisse ação efetiva em nosso país, quem sabe uma intervenção internacional? Seria possível algo nesse sentido, sob essa justificativa, na medida em que o Brasil se tornou, por conta dos desmandos do governo federal, numa ameaça sanitária/biológica global? Vale lembrar o precedente ocorrido em 2011, na Líbia, motivado por situação completamente diferente do que temos agora, sem qualquer semelhança com a gravidade do risco global que o Brasil representa, somado à falta de perspectivas de qualquer inflexão do Governo Federal no combate ao vírus e suas variantes. Em que pese o resultado desastroso do precedente histórico, o princípio que o motivou subsiste.  

Certamente é uma sombra que ronda a já obsessiva mente de Bolsonaro. Lembro aqui da famosa fala que dirigiu a Joe Biden, então candidato a presidente dos Estados Unidos: “Assistimos há pouco a um grande candidato à chefia de Estado [Biden] dizer que se eu não apagar o fogo da Amazônia, ele levanta barreiras comerciais contra o Brasil. E como é que nós podemos fazer frente a tudo isso? Apenas a diplomacia não dá, né, Ernesto?", dirigindo-se ao seu ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

"Porque quando acabar a saliva, tem que ter pólvora, senão não funciona. Precisa nem usar a pólvora, mas precisa saber que tem", disse Bolsonaro.  

Como dizia minha avó, o peixe morre pela boca. 

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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