Brasil precisa de um governo que o reunifique

"O Brasil precisa, urgentemente, voltar a ser uma democracia, uma república, uma nação. Precisa recuperar a confiança de que o país pode dar certo, precisa resgatar o orgulho dos brasileiros com o seu país, necessita projetar de novo uma imagem de respeito e soberania no exterior. O Brasil necessita de um Estado de Direito que imponha as normas democráticas de convivência e de respeito às leis e à Constituição", diz o colunista Emir Sader; "Um governo assim só pode sair do voto popular, de uma campanha eleitoral em que todas as alternativas e posições sejam representadas sem limitações"

diretas já
diretas já (Foto: Emir Sader)
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Os danos causados pelo governo golpista estão gerando um país fraturado e sem instâncias que regulem os conflitos. Um Congresso que não representa o país, eleito pela compra de mandatos por grandes empresas privadas (só a Odebrecht confessou que comprou 140 parlamentares, um executivo completamente ilegítimo e sem reconhecimento popular, um Judiciário que desmoralizou a palavra justiça, meios de comunicação partidarizados a favor do golpe, a massa da população sofrendo duríssimos golpes nos seus direitos elementares, o patrimônio da Petrobras sendo rifado ao primeiro comprador externo, um clima de intolerância com as diferencias e as posições alheias – em suma, um quadro de desagregação social e política, em meio a uma depressão econômica e ao maior desemprego que o pais ja conheceu.

O Brasil precisa, urgentemente, voltar a ser uma democracia, uma república, uma nação. Precisa recuperar a confiança de que o país pode dar certo, precisa resgatar o orgulho dos brasileiros com o seu país, necessita projetar de novo uma imagem de respeito e soberania no exterior. O Brasil necessita de um Estado de Direito que imponha as normas democráticas de convivência e de respeito às leis e à Constituição. O Brasil requer um governo que tenha o respeito de todos, que tenha legitimidade para fazer a economia voltar a crescer com geração de bens e de empregos, para baixar fortemente a taxa de juros, para combater implacavelmente a sonegação e os paraísos fiscais, para promover a democratização dos meios de comunicação.

Será um governo de transição, de reconstrução do pais dos destroços que têm sido produzidos pela política econômica genocida e antinacional do governo golpista. Um governo que faça a economia voltar a andar, consciente de que tem que retomar um modelo que promova o crescimento com distribuição de renda, fazendo do mercado interno de consumo popular uma das alavancas da demanda fundamental para a retomada do crescimento.

Um governo que faça com que o Brasil volte a ser um agente regional e internacional de resolução pacifica dos conflitos e de promoção dos direitos do Sul do mundo. Um governo que retome com intensidade a integração do Brasil aos Brics, favorecendo a criação de um mundo multipolar e voltado para o crescimento e a justiça social.

O tipo de governo que o Brasil requer imediatamente é um governo que recomponha o espaço para os grandes debates nacionais e sobre o mundo contemporâneo. Que resgate a democracia como valor, que volte a imprimir-lhe um caráter profundamente social, mas igualmente étnico e de gênero.

Um governo assim só pode sair do voto popular, de uma campanha eleitoral em que todas as alternativas e posições sejam representadas sem limitações. Em que se eleja um Congresso representativo de toda a sociedade, com toda sua diversidade, baseado no voto consciente e livre de todos e não no poder do dinheiro das grandes empresas privadas.

O Brasil precisa da democracia como precisa do ar para respirar, para viver. O pais está asfixiado por um governo que o torna menor, o estreita conforme os interesses mesquinhos do capital financeiro. O Brasil precisa do contrário, de um governo que fomente o imenso potencial que o pais tem para crescer e se construir como sociedade plural, como sociedade solidaria, humanista, generosa. Um mundo em que caibam todos os mundos.

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