Brasília Ameaçada: Monstros e Mitos

"Os monstros e mitos se repetem, e quando alimentados tornam-se cada vez mais famintos e descomunais, a fome de poder e de nenhuma mediação com a polis. Ligam-se, ou se tornam, diretamente tiranos, em qualquer época e modelo político", escreve o colunista Arnóbio Rocha

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(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)


“Sofre cada um de vós somente a própria dor;

minha alma todavia chora ao mesmo tempo

pela cidade, por mim mesmo e por vós todos”

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(Édipo Rei – Sófocles)

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O minotauro, o Touro de Minos, representa a dominação perversa do rei cretense, que tem seu monstro para intimidar seu povo e aos adversários, como, por exemplo, Atenas subjugada, que é obrigada a enviar sete moças e sete rapazes para saciedade da criatura, no seu labirinto.

O Monstro e o Mito, para muito além da mitologia é símbolo do poder despótico, desmedido.

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A relação da psiquê humana com seus arquétipos, ensinam e nos assustam pelos milênios distantes da Grécia, de Roma, ou da Índia, funcionam como símbolos de realidades aparentemente distantes, não obstante, tão presentes na modernidade, líquida ou volátil.

Os monstros e mitos se repetem, e quando alimentados tornam-se cada vez mais famintos e descomunais, a fome de poder e de nenhuma mediação com a polis. Ligam-se, ou se tornam, diretamente tiranos, em qualquer época e modelo político.

Aparecem, crescem em momentos incertos, inglórios, quando a cidade não responde aos seus cidadãos e cidadãs.

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As soluções despóticas são apresentadas, por seres disformes, que causam medo, temor, e isso vira um remédio para doença coletiva, tardiamente, esses seres, quando alçados ao Poder, são efetivamente vistos como o oposto ao que se propunham, ao invés de solução, trazem mais dores e causam profundas rupturas difíceis de serem arrumadas.

A experiência histórica não parece nos ensinar, ou, por alguma mágica, inconscientes somos sabotados a eleger essas monstruosidades, na aparência inofensivos, quase bufões, entretanto, carregam em si o mal, a naturalização do mau, a banalização da morte, rir da desgraça, faz piada, troça, nenhuma característica humana e urbana, carregam.

Vivem no extremo, da sombra à luz, depois derrotados voltam aos esgotos, esperando uma nova chance, para assustar a humanidade, a civilização. Um dia desfilam seus canhões e tanques, noutro dia se escondem nos pequenos golpes e rachadinhas, nada são, nada trazem de mudanças, apenas o desejo pelo Caos.

A polis tem que resistir, voltar a enfrentar seus monstros e mitos, para seguir em frente, no eterno embate de civilização versus barbárie.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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