Brazilian Beauty*

Aliás, essa nossa “Beleza Brasileira” tem nos mostrado a história da tragédia humana na carne e, sem dúvida, teria muito pouco de um “love, love, love” para apimentar o enredo nessa falta de governança a que estamos submetidos diariamente.

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Cada vez saindo menos de casa, por culpa desse governo genocida que faz pouco caso do coronavírus, mas, quando isso é necessário, vou para a rua sempre de bicicleta para uma utilitária compra na farmácia, no supermercado e na quitanda. Coisa de velho e, nem é preciso dizer, usando máscara direto e carregando o álcool em gel na velha mochila.

Como a vida tem sido monasticamente de reclusão, nesses tempos de pouca brilhantina e com isolamento sanitário radical, tenta-se ocupar o tempo com os livros, o acesso na internet, a troca de e-mails com os amigos e aquela sentada no sofá, que está afundando cada dia mais, de tanto assistir os programas das TVs abertas e pagas.

As programações desses dois tipos de TVs estão cada vez mais repetitivas e chatas. Os programas esportivos, sem quase futebol nacional para mostrar (que, por sinal, todos os campeonatos deveriam estar totalmente paralisados), os comentaristas acabam driblando o telespectador, por falta do que ter o que mostrar de novidade.

Os filmes (os bons) na TV paga são raros e assistidos duas, três, quatro vezes ou mais, por estarem escassas as opções na oferta e pela reduzida produção cinematográfica mais recente, por causa da pandemia. 

Outro dia, como resposta para um e-mail que enviei com um pequeno texto sobre os personagens que estão dando as tintas nesse país largado ao deus dará, um amigo lembrou “de um personagem autoritário do filme "Beleza Americana", que em certo momento sai do armário.” Comentando esse mesmo texto enviado, outro amigo sugeriu que se escrevesse uma crônica tendo como subtítulo “50 tons do verde e amarelo”, numa referência ao livro “Cinquenta Tons de Cinza” (“Fifty Shades of Grey”) da autora inglesa Erika Leonard James. Livro que, por sinal, virou filme em 2015, e trata, no seu assunto principal, o relacionamento sadomasoquista.  
Confesso que não li o livro, nem assisti esse filme mais novo, mas, por outro lado, durante essa pandemia, acho que assisti pelo menos umas duas vezes "Beleza Americana" (“American Beauty”) de 1999, dirigido por Sam Mendes e que aborda vários temas e, entre eles, a alienação e a libertação pessoal. O referido personagem autoritário é um coronel do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos interpretado pelo premiado ator Chris Cooper.

Aqui não se trata de especular sobre se algum militar “sai do armário” ou mesmo se existe algum movimento nesse governo que sugere “50 tons do verde e amarelo”, mas sim, se esse governo insano, pode provocar o acréscimo de mais de 100 mil mortes em abril por causa do coronavírus, chegando a 600 mil perdas de vidas até julho, segundo a Universidade de Washington, e não acontecer nada com o comando criminoso do país.

Assim, como andei assistindo umas reprises de pornochanchadas dos anos 70 e 80 e todo o santo dia os familiares, os amigos, os milicianos, os fariseus e os militares ligados ao Palácio do Planalto são personagens que parecem que têm vida própria numa pornochanchada ou suruba governamental, fica a sugestão para algum produtor cinematográfico promover a rodagem de uma película com o título em inglês de “Brazilian Beauty” para tentar atingir o mercado externo, uma vez que eles são craques nas relações exteriores e na logística, como todos sabem. Uma “Beleza Brasileira” trágica, macabra, diga-se de passagem.

Aliás, essa nossa “Beleza Brasileira” tem nos mostrado a história da tragédia humana na carne e, sem dúvida, teria muito pouco de um “love, love, love” para apimentar o enredo nessa falta de governança a que estamos submetidos diariamente. E aí, Congresso Nacional e Tribunal Superior Eleitoral, instituições que dispõem de todos os elementos para a retirada desse governo do poder, como ficamos nessa tragédia? Afinal, estamos precisando passar mais qual provação, na terra da jabuticaba, para continuar lutando, bravamente, todo o dia, nesse “cada um para si e Bolsonaro contra todos”, como alguém já falou um dia? Aguardamos, rapidamente, a resposta dessas instituições que dizem que estão “funcionando” numa boa e sem interferências. Será?

“Se a história ensina alguma coisa é que o mal é difícil de vencer, tem uma resistência fanática e jamais cede por vontade própria.” (Martin Luther King Junior).

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