Brumadinho: resgates de animais estão sendo sabotados e impedidos por causar prejuízo

Funcionários do Ibama denunciaram nas redes sociais nesta segunda-feira 28 que receberam uma ligação que os impediu de recolher os animais que estão atolados na lama. Quanta sujeira há por trás de tudo isso?



Nesta segunda (28) funcionários do Ibama denunciaram nas redes sociais que receberam uma ligação que os impediu de recolher os animais que estão atolados na lama, no município de Brumadinho, em MG, após mais um crime ambiental da mineradora Vale.

Em diversas postagens de indignação de um funcionário, cujo codnome "PPG", os veterinários e biólogos do Ibama e Projeto Aves alegam que, tanto eles quanto a policia ambiental estão impedidos de se deslocarem à Brumadinho para o resgate dos milhares de animais que agonizam na lama há mais de 72 horas. Segundo eles, mesmo com experiência, treinamento em resgate e todo o parato técnico, não são bem vindos.

Segundo essas denúncias, o motivo de impedir o resgate dos animais é devido ao prejuízo que isso pode ocasionar.

Outros grupos de resgate denunciaram o mesmo impedimento.

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Cerca de 900 homens da 4ª Brigada de Infantaria Leve do Exército estão de prontidão desde a última sexta-feira (25), data da tragédia de Brumadinho, sem que tenham sido acionados.

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Embora o Ministério da Defesa tenha disponibilizado forte estrutura para ajudar nas operações de busca em Brumadinho, autoridades do governo de Minas Gerais lançaram mão de apenas parte do efetivo oferecido.

Hoje cedo, o Blog da Andreia Sadi informou ter causado estranheza do governo federal, o fato de a 4ª Brigada ainda não ter sido utilizada.

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Ao governo federal, as autoridades mineiras explicaram que o auxílio da brigada não seria necessário porque a área do desastre é muito restrita, já ocupada pela equipe que atua no local, e que o excesso de pessoas poderia, inclusive, "atrapalhar a operação".

Em contrariedade, militares do alto escalão das Forças Armadas, com a ressalva de que não querem polemizar neste momento de angústia para as famílias das vítimas, afirmam que poderiam ter sido úteis na periferia da região, inclusive acessando a zona de mata nos arredores, ajudando a retirar moradores locais.

"Nesta hora, não se pode abrir mão de qualquer ajuda", disse, sob condição de anonimato, um alto oficial militar. Um colega de função, também ouvido pelo G1, foi na mesma linha.

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Eis a estrutura colocada à disposição pelo Comando Militar do Leste:

930 militares operacionais, incluindo tropas de Polícia do Exército com cães farejadores;
38 militares da área de saúde (médicos, enfermeiros e assistentes);
10 ambulâncias;
132 viaturas diversas, incluindo caminhões, ônibus e cisternas;
140 barracas e toldos;
95 camas de campanha;
360 colchões.

No stories, em sua conta no Instagram, a ativista Luisa Mell e sua equipe andam desesperados de um lado para outro narrando que ficam em longa espera, não recebem liberação para entrar e nem os tapumes pedidos para não atolarem na lama. Segundo a ativista, o Ibama alertou sobre o risco na reunião que aprovou a licença. Luísa Mell, que desembarcou nesta segunda-feira, 28, em Brumadinho, não poupou adjetivos negativos sobre o tratamento dado aos protetores dos animais pela Vale. Segundo a ativista informou à coluna Direto da Fonte, ela e sua equipe estão sendo "sabotados". "Viemos todos voluntariamente, compramos tapumes para o resgate - que a empresa não quis comprar - e eles não nos deixam entrar nem para mapearmos os animais", afirmou. Para Luísa, a maior preocupação da empresa é com a imagem : "eles não querem que as pessoas filmem a tragédia. Não queriam que entrássemos com celular", revela.

Quanta sujeira há por trás de tudo isso?

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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