Cadê a oposição?

"Não há o que negociar com quem incentiva estupros de 'mulheres bonitas', matar pelo menos 30 mil, destruir a liberdade nas escolas e universidades e incinerar direitos do povo trabalhador. A alternativa é a mobilização do povo", defende o jornalista Ricardo Melo, do Jornalistas pela Democracia; para ele, os líderes da oposição deveriam reduzir importância das redes sociais e "estar nas fábricas, empresas, bancos, lojas, bairros organizando o povo contra a destruição de suas conquistas"

Cadê a oposição?
Cadê a oposição? (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

Por Ricardo Melo, para o Jornalistas pela Democracia - Dá pena ver o papel insignificante da autoproclamada oposição no momento atual. É só discurso, na maioria reativo ao que acontece no Planalto. Haddad descobriu que existe Twitter – um pouco tarde, convenhamos - e despeja posts para disputar a liderança em trendtopics. Alguém precisa avisá-lo que a eleição já aconteceu.

Gleisi Hoffman, cuja combatividade é indiscutível, cai na mesma armadilha. Agora troca impropérios com Ciro Gomes. Pra quê? Ciro é um personagem desprezível politicamente. Vamos falar sério: o sujeito ajudou Bolsonaro a se eleger quando fugiu da raia depois do primeiro turno.

Ciro preferiu a Europa ao combate que se travava aqui no Brasil. Ao voltar, recusou-se a apoiar Haddad. Recentemente, pediu cem dias para avaliar o governo Bolsonaro. Não bastaram os trinta anos de vida pública do tenente transformado em capitão para traçar um diagnóstico do personagem? Ciro é um oportunista, gosta desta fantasia e só tolos, ou os antigos amigos da dezena de partidos pelos quais baldeou, ainda lhe dão crédito.

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Enquanto isso, a camarilha instalada no Planalto a bordo de uma fraude escancarada --desde a prisão de Lula à manipulação eletrônica-- avança nos seus planos de destroçar o Brasil. A liquidação da aposentadoria, a destruição dos poucos direitos trabalhistas que sobraram e a violação continuada da soberania nacional seguem à toda velocidade.

Na calada da noite, a Embraer foi entregue à Boeing que, por sua vez, mostra estar abaixo da excelência tecnológica brasileira com o fracasso do seu novo modelo 737, um féretro voador. Tentou-se até criar um novo poder com uma fundação "lava jato", escândalo que nem sequer a desmoralizada justiça brasileira conseguiu aceitar.

Toda essa situação de ruína só tem chance de ser revertida de um modo: com a mobilização popular. Chega a ser ridículo pensar que batalhas de 240 caracteres possam mudar o quadro em que os adversários estão visivelmente mais aparelhados.

Bolsonaro é o que é. Um alucinado, desequilibrado, ultra-direitista, preconceituoso e fantoche do grande capital. As ligações dele e de sua famiglia com milícias paramilitares estão expostas à luz do sol. Não são necessários cem dias para perceber isto.

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É o resto do resto. Foi quem sobrou para fazer o trabalho sujo de escravizar o Brasil ao gosto do capital abutre, da mídia gorda e seus cúmplices. Cercou-se de militares, inclusive em "lives", para ameaçar os opositores e o povo de que, ruim com ele, pior sem ele.

Quem pretende ser oposição de fato tem de tomar este ambiente como ponto de partida. Não há o que negociar com quem incentiva estupros de "mulheres bonitas", matar pelo menos 30 mil, destruir a liberdade nas escolas e universidades e incinerar direitos do povo trabalhador.

A alternativa é a mobilização do povo. Em vez de usar os dedos para contratuitar os despautérios de um descompensado e sua troupe, as lideranças políticas e sindicais deveriam estar nas fábricas, empresas, bancos, lojas, bairros organizando o povo contra a destruição de suas conquistas. Fala-se numa grande manifestação contra a reforma da previdência. Quando? Como? Com que meios?

Se os autonomeados dirigentes da oposição pensarem que bastam pronunciamentos "combativos" contra personagens que o povo mal sabe quem são –Olavo de Carvalho, Menendez, Ernesto Araújo, Damares de tal, general x ou y e assim por diante--, o caminho para a derrota já está traçado de antemão. O povo quer ver aqueles que se dizem seus representantes colocarem a mão na massa, literalmente. E não ouvir discursos ou ler documentos irados que se esgotam no momento em que se ouve ou que se lê.

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