Cadê o gato?!
Gato é também aquele emaranhado de fios que ninguém consegue desembaraçar. Na manhã antes do fatídico vazamento...
Gal Costa canta o mote dessas paragens brasileiras, de longuíssima data, composta por Maria de Abreu, Francisco Mattoso e Paulo Barbosa: Onde está o dinheiro? Mas o gato comeu. Cadê o gato? O gato fugiu. E seu paradeiro? Está no estrangeiro. Talvez nos States. Entretanto, gato é também aquele emaranhado de fios que ninguém consegue desembaraçar.
Na manhã antes do fatídico vazamento da sua mensagem a Vorcaro, Flávio negou de pés juntos conhecer o dono do Banco Master. Ainda na rua, um repórter do Intercept tentou perguntar sobre a tal conexão entre ambos. Flávio, sem responder, ironizou o repórter. Negou, troçou do profissional. Antes do áudio, o senador Flávio negava qualquer contato com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A fonte de informação do Portal Intercept dizia o contrário. Era evidente o elo amistoso do senador com o banqueiro suspeito de fraudes financeiras. Flávio conhecia bem Vorcaro e se declara ao banqueiro assim: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.
Ainda em dezembro de 2025, um dia depois da mensagem ora divulgada, Vorcaro tentou ir para Dubai. Foi detido pela Polícia Federal, no ato, antes de levantar voo num jatinho particular. O veículo ia taxiar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando a PF chegou.
O senador Bolsonaro tentaria manter-se alheio e jogar a culpa nos adversários, um modus operandi da direita. O slogan de propaganda na camisa do Flávio, descabido, é de que a Master é do seu principal adversário. Prática nazista da política de Goebbels, ministro de Hitler. É próprio da direita bizarra e indefensável transferir indevidamente aos adversários seus delitos, controlar a opinião pública cerceando jornalistas ou manipulando falsas versões. Quer colar suas mazelas nos outros. Não pegou. Flávio já desaba nove pontos na pesquisa de intenção de votos. Dizer o quê? Era outro? Era o Lula, o PT?
Era muito tarde – toda a rua, toda a imprensa já sabia. A merda subiu pelo ralo. Apoiadores do senador se sentiram traídos. Então, Flávio deu uma guinada na sua história. Foi à tevê de maior audiência e levou pau de três repórteres.
Confessou, então, ter visitado Vorcaro mesmo preso, para pôr um “ponto final na questão” – justificou. Por certo, um conforto ao interditado pela Justiça e, desta vez, uma visita presencial do Flávio. Sem o uso de mensagens rastreáveis, como antes.
Para que o dinheiro? Para “um bom filho e produtor do filminho ao pai”. Penso que, se alguém me pedisse sessenta e um milhões para esse fim, e eu os tivesse, ia fazer um filme ao “meu” pai, não ao dele – leva-nos a pensar que eram negócios. Por que não usaram a Lei Rouanet? Aliás, com regras claras e usuais em filmes premiadíssimos internacionalmente.
Ao filme pretensamente privado de Bolsonaro, é evidente o atropelo desembestado desse “Dark Horse” sem ferraduras. A cantora Beyoncé foi à Justiça por uso não autorizado, violação de direitos autorais da música Survivor.
Para Julian Lemos – ex-bolsonarista, “... esse dinheiro de filme é propina”.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

