Cadê o governo federal?

A tragédia ambiental no Nordeste dura mais de 50 dias. Mas até o momento o governo federal não identificou o culpado e não fez praticamente nada

(Foto: Foto: Felipe Brasil / Fotos Públicas)
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A tragédia ambiental no Nordeste dura mais de 50 dias. As primeiras manchas alcançaram as praias no final de agosto e vêm causando grande impacto nos 2 mil quilômetros de costa, com prejuízos ainda não totalmente avaliados para a vida marinha e as 166 localidades afetadas.

É um dos maiores crimes ambientais já sofridos pelo Brasil. Mas até o momento o governo federal não identificou o culpado e não fez praticamente nada do que seria a sua obrigação: proteger a vida marinha e limpar as praias da mancha pastosa de petróleo.

Para não dizer que não reagiu, o governo anunciou que vai colocar tropas do Exército à disposição das operações de limpeza das praias. O ministro da Defesa chegou a declarar que “o Exército não atuou antes porque a avaliação era de que não havia necessidade”.

Será que o governo resolveu intervir tardiamente porque viu que, por sua própria conta e risco, a mobilização voluntária dos nordestinos já tinha conseguindo tirar das praias mais de 900 toneladas de petróleo e estaria angariando enorme simpatia na mídia internacional?

Enquanto isso o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, responsável direto para enfrentar a tragédia, se omite por trás de delirantes teorias conspirativas sobre a origem venezuelana do óleo, insinuando que isso seria uma ação premeditada para atingir o Brasil. Chegou ao absurdo de cobrar da Greenpeace a ausência de voluntários da ONG nas ações de limpeza.

Do Japão, Bolsonaro postou um twitter realimentando a teoria da conspiração: “No mínimo estranho o silêncio de ONGs e esquerda brasileira sobre o óleo nas praias do Nordeste. O apoio desses partidos ao ditador Maduro fortalece a tese de um derramamento criminoso”.

Bolsonaro faz questão de ignorar solenemente a declaração do ministro da Marinha de que a Venezuela não tem responsabilidade sobre o óleo derramado.

Mas é dessa forma caótica e sempre baseada em fake news, que Bolsonaro consegue tocar o dia-a-dia de seu desgoverno. E o que ele sabe fazer muito bem é desmontar o Estado e o país em tempo recorde.

É o caso da política ambiental, que representava um destaque internacional do Brasil durante os governos de Lula e Dilma. Ele não apenas desmontou completamente a política ambiental como também extinguiu o colegiado responsável pelo Plano Nacional de Contingência (PNC), conforme denúncia da Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente e do PECMA.

Sem fiscalização o governo não pôde reagir à tragédia do derramamento de óleo. Do mesmo que por falta da esvaziada fiscalização do IBAMA não reagiu aos focos criminosos de incêndio na floresta amazônica. Em ambos os casos Bolsonaro culpou inimigos imaginários – ONGS e esquerda.

Mas será que por trás da óbvia negligência e incompetência administrativa do governo em relação ao crime ambiental no Nordeste não haveria também uma motivação política? Não estaria em curso ganhar tempo com a especulação ideológica da origem do óleo para punir o Nordeste por ter se recusado a votar no “mito” e porque seus governos, de oposição, mesmo discriminados pelo governo federal, estão conseguindo manter uma taxa de crescimento econômico superior à demais regiões do país?

Em artigo recente a revista Carta Capital denuncia que o desmonte da Petrobras e da indústria petrolífera nacional é muito maior no Nordeste. O nome do artigo já diz tudo: “Vingança em barris”.

São conjecturas legítimas, dado o absurdo da inação do governo diante de tamanha tragédia ambiental e também do fato de Bolsonaro demonstrar ter o firme propósito de fazer o Brasil voltar no tempo e se tornar uma neocolônia do Império americano. De Bolsonaro pode-se esperar tudo de ruim para o povo e para o Brasil.

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