Caiu o primeiro: derrota de Macri anuncia mudança de ventos na América do Sul

"Os ventos estão mudando de direção na América do Sul", escreve Cynara Menezes, do Jornalistas pela Democracia, lembrando que neste domingo 27 "os argentinos disseram 'não' à continuidade do desastroso governo de direita" de Mauricio Macri. "A 'onda neoliberal' começa a ser derrotada por seu próprio projeto econômico, propulsor da desigualdade e da recessão", diz a colunista

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Por Cynara Menezes, do Socialista Morena e do Jornalistas pela Democracia - Os ventos estão mudando de direção na América do Sul. A “onda neoliberal” começa a ser derrotada por seu próprio projeto econômico, propulsor da desigualdade e da recessão. Com a queda de Mauricio Macri neste domingo, a esquerda inicia sua volta ao poder pela Argentina, exatamente como temia Bolsonaro. Com 97% dos votos apurados, o peronista Alberto Fernández, da coalizão Frente de Todos, cuja vice é a ex-presidenta Cristina Fernández de Kirchner, conseguiu 48,1% dos votos contra 4o% de Macri e venceu no primeiro turno.

Os argentinos disseram “não” à continuidade do desastroso governo de direita, que levou o país de volta ao FMI após 15 anos e os indicadores sociais a uma queda vertiginosa, embora o presidente tenha prometido “pobreza zero” ao assumir: nosso vizinho tem hoje o nível mais alto de pobreza desde 2001, com 52,6% das crianças na pobreza e 13,1% estão em situação de miséria. A inflação é a maior dos últimos 27 anos.

Um dado importante dessa vitória é que, pela legislação argentina, o vice-presidente ocupa a presidência do Senado. Cristina Kirchner, portanto, é a nova presidenta do Senado argentino. A coalizão de Cristina também ganhou na província de Buenos Aires: seu ex-ministro da Economia, Axel Kiciloff, derrotou a atual governadora Maria Eugenia Vidal, aliada de Macri, por uma diferença superior a 13 pontos percentuais: 52,29% a 38,39%, com 95% das urnas apuradas.

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Na manhã de domingo, o novo presidente Alberto Fernández havia felicitado Lula pelo seu aniversário de 74 anos. “Hoje faz aniversário meu amigo Lula, um homem extraordinário que está injustamente preso há um ano e meio”, escreveu, fazendo o sinal de Lula Livre. Fernández já havia visitado o ex-presidente na cadeia em Curitiba em julho.

À noite, Fernández voltou a pedir “Lula Livre!” diante da multidão que festejava a vitória em frente ao comitê central da Frente de Todos no bairro de Chacarita, em Buenos Aires.

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Após ser informado da derrota de seu candidato Macri, Bolsonaro disse que não ia cumprimentar o novo presidente argentino, como se não fosse o chefe da Nação e sim um menino birrento. “A Argentina escolheu mal. Não pretendo parabenizá-lo”, disse. Já o atual presidente mostrou mais apreço à democracia, reconheceu a derrota e recebeu Fernández na Casa Rosada na manhã de segunda. “Eu e minha equipe estamos à disposição para trabalhar juntos e conseguir uma transição democrática que beneficie a todos os argentinos”, afirmou Macri. O presidente eleito qualificou o encontro como “positivo”.

Alberto Fernández tem 60 anos, é professor e advogado. Ocupou a chefia de gabinete da presidência no governo de Néstor Kirchner e durante parte da presidência de Cristina, de quem se tornaria crítico. Daí a surpresa quando decidiram formar a dobradinha que se sagrou vencedora. Suas primeiras palavras após o final da contagem foram para agradecer ao povo pela votação. “É um grande dia para a Argentina”, disse, também prometendo colaborar com Macri na transição. “Vamos colaborar em tudo que pudermos, porque a única coisa que nos preocupa é que os argentinos deixem de sofrer de uma vez por todas.”

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Menos diplomática, a nova presidenta do Senado, Cristina Kirchner, pediu a Macri que “suavize a situação dramática” das finanças públicas. “É sua responsabilidade. Os presidentes são presidentes desde o primeiro dia que assumem até o último”, disse.

No Uruguai, haverá segundo turno entre o candidato da Frente Ampla, o ex-prefeito de Montevidéu Daniel Martínez, e o candidato da direita, o ex-senador Lacalle Pou, derrotado pelo atual presidente Tabaré Vázquez em 2014. Pepe Mujica foi eleito senador em uma lista com votação recorde: 262.124 votos. Mujica havia renunciado ao cargo em agosto do ano passado alegando “cansaço” e “razões pessoais”.

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