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Tiago Barbosa

Jornalista, pós-graduado em História e Jornalismo, com passagem por jornais de Pernambuco

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Capa da Time com Lula escancara indigência da mídia brasileira

O antipetismo cevado como arma das classes dominantes contra o interesse popular colonizou o jornalismo das grandes redações e implodiu o senso crítico

Lula (Foto: Reprodução | Ricardo Stuckert)

por Tiago Barbosa

A publicação de Lula na capa da Time - revista das mais importantes do mundo - não é só reconhecimento internacional da relevância do petista.

O planeta e a história já sabem disso.

Mas realça o abismo entre a realidade e a banda podre da mídia brasileira - atolada em ódio, cegueira e estupidez.

O antipetismo cevado como arma das classes dominantes contra o interesse popular colonizou o jornalismo das grandes redações e implodiu o senso crítico, a percepção do real, a capacidade de identificar e hierarquizar importâncias - e tudo ruiu em uma geleia geral de insensatez.

A degeneração moral, ética, cognitiva e profissional é ainda mais gritante quando se contrapõe o caldo da mídia nacional à capa da Time.

Como pode Lula “não ser player” - segundo uma jornalista expoente da mediocridade - se o mundo o reconhece? Como pode ser “extremista inconsequente" se o mundo o admira tanto? A expressão "escolha difícil" vira agressão diante do reconhecimento lá fora.

A reação dessa turma à decisão editorial da revista acentuou a indigência predominante no noticiário nacional.

Atormentados pela edição e movidos por um cinismo habitual, muitos se apressaram para desqualificar a Time - mesmo desmentidos pelas próprias loas recentes à revista.

Veículos hegemônicos da mídia corporativa recortaram trechos da reportagem para extrair um viés negativo e sumariamente condenar o pensamento lulista sobre o mundo.

Analista de um jornal "a serviço da democracia" chegou a equiparar a análise dele sobre a guerra na Ucrânia à declaração "fora de hora" sobre aborto para sugerir verborragia insensata do ex-presidente.

É urgente sublinhar: o jornal trata a preocupação de um ex-presidente sobre uma questão de saúde pública cercada de machismos como "erro".

Acerto seria ocultar e adiar o problema sob o qual padecem grávidas sem assistência sentenciadas ao descalabro de clínicas clandestinas para cessar a gravidez indesejada? 

A onda subjacente de absurdos à publicação escancara o óbvio: a mídia brasileira é um fiasco retumbante por ignorar, diante do nariz, o estadista com importância ímpar para o mundo. 

Essa invisibilização (fracassada) de Lula perseguida pela fração abjeta da imprensa é o elo indisfarçável de obscurantismo e negacionismo com o bolsonarismo.

Ambos se insurgem contra ONU, Time e organismos internacionais para refutar a realidade e forjar uma alienação venenosa ao Brasil.

São chorume do mesmo saco.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.