Capital financeiro, o Zangão da economia brasileira

Quando os famélicos catavam ossos, o mercado contava dólares

www.brasil247.com - Luiz Inácio Lula da Silva, Bolsa de Valores e o dólar
Luiz Inácio Lula da Silva, Bolsa de Valores e o dólar (Foto: Lula Marques | Reuters)


Quando Lula declarou que a prioridade é acabar com a miséria, o mercado reagiu histericamente depreciando o valor das empresas brasileiras na bolsa, elevando o dólar e contribuindo para o aumento da inflação.

É obrigação constitucional e política do governo eleito acabar com a fome imediatamente; construir uma sociedade livre, justa e solidária; erradicar a pobreza e a marginalização; reduzir as desigualdades sociais e regionais; promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação, consoante a promessa de campanha e ao art. 3º da CF.

Ainda segundo a Constituição é direito do cidadão e dever do Estado garantir trabalho livre a todos (art. 23 º e outros).

A Lei Maior não fala em picanha e nem em cervejinha, porque isso faz parte da escolha individual de cada um, mas ter direito a comer dignamente é condição sine qua non para ser cidadão.

O tal mercado, que não passa de alguns manipuladores com propósitos políticos, fica à espreita de qualquer vírgula eventualmente mal colocada, para dar a interpretação oportunista que desejar, esquecendo dos pontos parágrafos históricos que não deixam dúvidas da responsabilidade fiscal e social do Lula como governante. 

Com superávits, em 2005, o governo Lula quitou todas as dívidas com o FMI, e quatro anos depois emprestou dinheiro à instituição pela primígena vez.

Nos governos Lula e Dilma, o Brasil alcançou o que é denominado estatisticamente de pleno emprego, em 2013 e 2014, 4.3 e 4.8 %, respectivamente, foram as menores taxa de desemprego de décadas.

Também no governo Lula o país passou a ter a maior reserva cambial, hoje em torno de 380 bilhões de dólares. Essa reserva é a verdadeira âncora de responsabilidade do país.

Também no seu governo os banqueiros ganharam muito dinheiro, lamentavelmente, digo eu, pois não havia e não há taxação dos lucros, dividendos e grandes fortunas.

Aqui é o paraíso do capital especulativo e o inferno da desigualdade social.

Um país rico, com uma reserva cambial entre as 10 maiores do mundo, e a pobreza extrema e o desemprego campeando nos campos tóxicos do nosso imenso país, é um paradoxo que demonstra a mediocridade das elites oligárquicas deste Brasil patrimonialista.

Essas elites têm débito com os povos originários, com os negros, com as mulheres, como todos aqueles descriminados ao longo dos cinco séculos da nossa história. 

Nunca houve uma efetiva Justiça de transição e enquanto não houver seremos o país da impunidade, no qual os fantasmas do passado irão sempre assombrar o mundo dos vivos para cobrar o que lhes é devido historicamente.   

Os ricos não devem existir impunimente enquanto existir miseráveis, pois, se eles têm demais é porque falta aos que têm de menos.  

O mercado não está preocupado com a responsabilidade fiscal, está preocupado é no combate à pobreza com a taxação dos bilionários, rentistas e especuladores, fundamentos para com a construção de uma democracia social.

O que as elites fizeram durante a pandemia? Nada senão ganhar mais dinheiro.

E a imprensa corporativa, atualmente dominada pelo capital financeiro, é a porta voz dessas reações histéricas.  

Se o virtual governo Lula/Alkmin ceder agora, não terá sossego no futuro imediato.

Contudo, essa batalha não é só do governo, é da sociedade organizada, especialmente dos movimentos sociais, sindicais, e dos partidos democratas, que devem mobilizar as massas em cima de bandeiras específicas e não genéricas, pois estas não têm poder de galvanização.

Se continuarem na letargia do combate ao orçamento secreto e às fúrias do mercado contrárias a erradicação da miséria e a promoção do pleno emprego, não terão moral e empoderamento político para demandar sobre o governo pendular que será o de Lula/Alkmin.

Será uma quadra muito singular, a exigir da esquerda criatividade e autonomia de ação, sem esperar pelo institucional.

Ousar se reciclar para ousar vencer.

Francisco Celso Calmon

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