Capitalismo, religião e identidade. Um triângulo nada amoroso!

Lamentavelmente o sistema econômico dominante adentrou em todas as áreas do conhecimento inclusive nas religiões, prevalecendo em alguns casos a busca pela ascensão econômica, pelo poder de disseminação da ideologia; pela busca de novos fiéis, vendo a religião como um negócio; além da busca por um lugar no céu

Aprenda a atrair dinheiro
Aprenda a atrair dinheiro (Foto: Judson Nascimento)

A sociedade tem se organizado fundamentalmente em função do acúmulo de bens e de capital, a partir do estímulo à obsolescência e consumo de bens e serviços. A ideia é tornar os produtos obsoletos rapidamente para que sejam trocados por um outro mais "novo" e com isso aumentar o consumo para se auferir lucros maiores. É importante que se diga que o lucro não é em absoluto o problema em questão, mas sua busca incondicional aliada ao processo de industrialização, que permite a produção em massa, junto à globalização, tem provocado danos consideráveis à economia, à sociedade e ao meio ambiente. Uma das principais consequências tem sido a concentração de renda na mão de poucos aumentando a quantidade pobres.

Algumas religiões têm buscado se adaptar à "evolução" da sociedade, ditando o que é divino e o que não é, sob a égide do capital, mas sem que se deem conta de que estão apoiando e reforçando um sistema econômico altamente predatório. Não há como se eximir dessa responsabilidade, afinal todos somos seres políticos e se o princípio divino passar pela união, a ética e o bem-estar de todos, como ignorar não se questionar um sistema econômico que produz desequilíbrio social? Por que não se questiona o capitalismo, já pensou nisso?

A questão é que seus "representantes na terra", são influenciados pelo próprio sistema econômico vigente e não fazem qualquer crítica a este sistema. Por isso a falta de informação desses representantes, aliada ao preconceito, é fator preponderante para a manutenção da alienação de seus fiéis. Poucos representantes possuem conhecimento para fazer uma análise do capitalismo de maneira isenta, avaliando pros e contras, mas certamente possuem alguma informação sobre o inimigo socialismo. Como o sistema vende a ideia de que só existe este dois caminhos, os fiéis veem o capitalismo como normal, abençoado e o socialismo como anormal, amaldiçoado. Se o representante na terra diz que é assim, a fé manda não questionar e sim acreditar.

Observe que dogmas são geralmente estabelecidos de acordo com valores comunitários, a partir do sentimento de pertencimento da comunidade, por meio de características identitárias. É possível identificar diferentes interpretações referentes ao livro sagrado dentro das mesmas denominações, bastando por exemplo mudar o local da congregação (Cidades, regiões, áreas rurais) para observar que os valores, crenças e comportamentos também mudam. Isto significa dizer que a interpretação é fruto dessa identidade, ou seja, cada comunidade tem seus próprios valores, bem como seus próprios dogmas, sejam eles mais ou menos conservadores, dependendo do lugar.

Logo, não há padrão de valores nem de dogmas, o que demonstra que é possível sim dentro de uma denominação, construir e promover processos de mudança que transforme ideias conservadoras em ideias de vanguarda tendo como princípio a diversidade, o bem querer e a empatia. Assim a crença em Jesus não limitaria seus fiéis a valores tradicionais e sim a princípios que busquem a compreensão e valorização de temas muitas vezes tratados com preconceito como homossexualismo, machismo e racismo, dentre outros. O mais importante deveria ser a disposição para se querer bem ao próximo e compreendê-lo dentro de suas idiossincrasias e não se ele faz ou não parte da mesma denominação.

Lamentavelmente o sistema econômico dominante adentrou em todas as áreas do conhecimento inclusive nas religiões, prevalecendo em alguns casos a busca pela ascensão econômica, pelo poder de disseminação da ideologia; pela busca de novos fiéis, vendo a religião como um negócio; além da busca por um lugar no céu. A igreja frequentemente utiliza da ameaça para garantir a presença e manutenção de seus fiéis. Não parece razoável haver um Deus que seja vingativo, a ponto de "Quem não o seguir ir para o inferno". Isso parece mais coisa de humano e não de Deus, não é mesmo?

Arrisco dizer que se for decretado que a religião não ajuda a prosperar nem garante um lugar no céu, muitos debandariam por estar na verdade fazendo "negócio" com Deus, utilizando como moeda de troca sua devoção e não por ser realmente uma pessoa com princípios cristãos. Porque isso exige mais do que frequentar um templo, ou falar em nome de Jesus e sim praticar o cristianismo. Mas isso é bem mais difícil!

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