Capitalismo vira tigre de papel
A perda de lastro do dólar e do euro, somada à ascensão chinesa e à estratégia russa, materializa a tese de Mao Tsé Tung sobre o colapso do capitalismo
A pregação de Mao Tsé Tung, que levou a China à revolução socialista em 1949, pode estar se materializando, lentamente, com a decadência econômica americana: o líder revolucionário chinês, que lançou, a partir do Partido Comunista da China, as bases do novo poder mundial, com a atual supremacia econômica chinesa em curso, já evidente por meio da superioridade do poder de paridade de compra entre as duas potências, foi taxativo: o capitalismo vai virar tigre de papel; a predominância, cada vez mais precária, da financeirização econômica está no caminho da implosão diante da decisão do presidente Wladimir Putin de congelar ativos europeus e americanos em retaliação às sanções econômicas e sequestros das reservas russas, estimadas em 350 bilhões de dólares; as fábricas europeias e americanas instaladas na Rússia, calculadas em 900 bilhões de dólares, segundo especialistas ocidentais, passam a ser administradas pelos russos, bem como os seus rendimentos, conforme decreto número 117 – tipo ordem executiva de Donald Trump –, em resposta ao boicote ocidental pela reação russa em invadir a Ucrânia, em 2022, para se defender das ameaças feitas pela Otan; o ocidente – Estados Unidos e Europa – fica com ativos monetários fiduciários russos(papéis, ações, liquidez fictícia), enquanto a Rússia passa administrar, por tempo indeterminado, os ativos reais, que geram fluxos de caixa constantes ao tesouro russo; ativo real x ativo fictício; a estratégia russa, para tentar reaver os ativos que o ocidente sequestrou, é mortífera para o capitalismo financeirizado, ameaçado pela especulação por não possuir lastro real.
PODER INEXISTENTE DA ILUSÃO
A euforia que tem tomado conta das bolsas ocidentais, nas últimas semanas, especialmente, no Brasil, pode ser ilusória: o capital voltátil, desesperado, está correndo prá cá em busca do juro alto Selic de 15%(o mais alto do mundo), maior responsável pela expansão incontrolável da dívida pública, segundo reconheceu, nessa semana, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad; para piorar a situação, especialmente, para os capitalistas europeus, a Europa está sem gás e energia a custo barato que a Rússia fornecia às indústrias no velho continente; Moscou vendia a 150 dólares por mil metros cúbicos de gás aos industriais, na Europa, especialmente, à Alemanha, antiga locomotiva econômica europeia, mas, agora, depois que o governo Biden, em 2022, explodiu os gasodutos de Nord Stream, o preço do produto(GNL), fornecido pelos Estados Unidos, em substituição ao gás russo, passou a 500, 800 e, no pico, a 1.500 dólares por mil metros cúbicos; a Europa perdeu completamente a capacidade de competir, e a queda violenta da produtividade destrói, aceleradamente, os salários, elevando a extração de mais valia dos trabalhadores europeus, aumentando tensão social; Trump, por sua vez, abandona a Otan, que a vê como inútil para os interesses dos Estados Unidos, enquanto impõe aos europeus o tarifaço, inviabilizando exportações europeias aos americanos; como preveem os russos e especialistas em geral, a Europa, sem gás e oxigênio, para sobreviver, entra em asfixia econômica e financeira, abrindo-se à possibilidade de agitações políticas em futuro breve.
COLAPSO MONETÁRIO
Os capitalistas do ocidente estão sem lastro para suas moedas; o euro e o dólar correm perigo, razão pela qual o presidente Donald Trump radicaliza discurso imperialista para invadir territórios soberanos – Venezuela, Groenlândia, Canadá – em busca de petróleo, minerais, terras raras etc, sem os quais as moedas americana e europeia perdem valor, assim como não alavancam indústrias de vanguarda tecnológica, movidas pela inteligência artificial em escala exponencial; materializa-se, não mais lenta e gradualmente, mas, aceleradamente, a máxima de Mao Tsé Tung de que o capitalismo é tigre de papel; as bolsas internacionais, na Europa e nos Estados Unidos, sob impacto da decisão de Putin de, via ordem executivo(decreto 117), passar a administrar patrimônio ocidental investido na Rússia, em retaliação ao sequestro das reservas russas, para aplicá-las na Ucrânia, para que possa se armar e invadir a Rússia, não passa de sonho de noite de verão; se a desvalorização monetária do euro e do dólar já está escrito nas estrelas, devido à exposição brutal da realidade imposta pelo decreto de Putin, o fato é que os rendimentos do patrimônio real ocidental instalado na Rússia vai para os cofres do tesouro russo, administrado por Putin, agora, aliado da China e totalmente voltado para a Ásia, não mais para os cofres europeus, nos próximos tempos.
RECADO AO BRASIL: RESERVAS EM PERIGO
Nesse contexto, o que ocorre é a valorização dos ativos dos países detentores de matérias primas(petróleo, ouro, minerais, terras raras, alimentos, biodiversidade infinita com Amazônia etc), que dão rendimento real e não papéis candidatos a se apodrecerem por serem ativos fictícios. O Brasil precisa agir rápido com suas reservas cambiais em dólares, estimadas em mais de 350 bilhões de dólares, candidatas à desvalorização, investindo-as na produção e infraestrutura; as informações que circulam nos meios internacionais são as de que o BC brasileiro, assim com os bancos centrais da China, da Rússia, da China, da África do Sul, da Índia, enfim, dos países do Sul Global, já estão comprando ouro em quantidades crescentes para se protegerem do terremoto financeiro que vem por aí, enquanto vão se desfazendo das outrora consideradas moedas fortes candidatas à desvalorização inevitável; no cenário capitalista em crise, tudo que é sólido se desmancha no ar, já dizia Marx.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
