Carla de Moura revelou a farsa do “Avança Educação” de Leite

A educação resiste, apesar dele. A professora Carla de Moura, com a dignidade de uma profissional de sua área, deixou literalmente um registro para a História. Que a sociedade tenha a sensibilidade de olhar para esse episódio e entender o que ele realmente revela

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(Foto: Aquiles Lins)
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O vídeo e a matéria jornalística divulgados no site do Sul 21, relacionados à auto exoneração da professora Carla de Moura são muito mais do que a denúncia dos fatos que a provocaram. Eles são o espelho da destruição programada da escola pública estadual, de parte de um governo cuja crueldade com o serviço público só se assemelha a Britto (MDB) e a Sartori (MDB).

Negar a uma profissional da rede pública estadual, doutoranda em História, o direito de obter uma licença qualificação (remunerada) para concluir seu doutorado, já é por si só incoerente e irresponsável. Incoerente com o discurso oficial de “valorização da educação” e irresponsável com os profissionais da rede pública que buscam se aperfeiçoar para qualificar o processo de ensino aprendizagem. 

Agora, após essa negativa, não restando nenhuma outra alternativa à essa profissional que solicitar uma Licença Interesse (não remunerada) para concluir seu doutoramento, e mesmo assim lhe ser negado esse direito, já não se trata mais dos princípios que orientam a administração pública. Nesse caso já se desceu à esfera da estupidez tecnocrata, tão típica do governo Eduardo Leite (PSDB). 

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O documento que lhe nega o direito de deixar de receber o mísero salário para obter qualificação de doutora tem que ser estudado pelos especialistas críticos às gestões neoliberais. É um aperfeiçoamento de métodos de destruição da coisa pública por meio da implosão de qualquer caminho legal para a qualificação dos profissionais. A justificativa de que não existem profissionais para substituí-la é tão ridícula que não merece a perda de tempo de escrever sequer uma linha para contestá-la. 

Esse triste episódio, denunciado pela professora com dor e indignação, revela muito de um processo de desmonte da escola pública que está em curso com detalhes de crueldade. O programa “Avança Educação”, lançado com pompas de redenção dos problemas educacionais não passa de mais uma jogada de marketing eleitoreiro de um governador que não possui nenhum compromisso com a educação. 

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Eduardo Leite está concluindo seu terceiro ano à frente do Palácio Piratini, governando completamente de costas para o magistério estadual. Ele aniquilou com o Plano de Carreira, submete os profissionais ao arrocho salarial sem sequer repor as perdas da inflação do período e, neste ano, diminuiu os investimentos em educação de 29,56% (1º semestre 2020) para 25,03%. 

A rede física de uma grande parte das nossas escolas está completamente sucateada, com salas de aula com goteiras, paredes rachadas, infiltrações, janelas e vidros quebrados em decorrência dos violentos cortes de recursos que esse governo impôs. Mas a solução está dada. Em uma espécie de programa de auditório de TV, típico da farsa que lhe é característica, anunciou em meio ao caos a “redenção”. Algumas poucas escolas serão contempladas pela sua benevolência e receberão recursos para obras e reformas. As demais continuarão entregues ao descaso e ao esquecimento. 

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Isso não é uma política pública educacional. Isso é transformar a educação de nosso estado em uma espécie de auditório do Baú da Felicidade. Esse sujeito não tem nenhum respeito pela heroica história que os educadores (professores e funcionários) construíram em solo gaúcho. 

Mas a educação resiste, apesar dele. A professora Carla de Moura, com a dignidade de uma profissional de sua área, deixou literalmente um registro para a História. Que a sociedade tenha a sensibilidade de olhar para esse episódio e entender o que ele realmente revela.

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