Carta à dona Lúcia

Venho, mui respeitosamente, adverti-la sobre a insistência em esperar alguma ação afirmativa com viés social por parte dos que nos governam. Não, eles já disseram ao que vieram!

(Foto: Antonio Cruz - ABR)

Dona Lúcia, eu sei que a senhora é uma boa pessoa, mãe dedicada e avó carinhosa. Assim como a senhora, milhões de brasileiros votaram em um candidato com o propósito de não permitir a volta do PT, mesmo com todos os avanços nos governos Lula e Dilma. Os índices positivos na economia, educação, saúde, meio-ambiente, emprego, e o status adquirido pelo cidadão brasileiro no exterior, não foram suficientes frente ao kit gay e outras fake news que a senhora recebeu em seus grupos no Whatsapp.

Tudo bem, somos passíveis de erro e vivemos expostos aos ataques de gente muito bem preparada para manipular nossas opiniões, influenciar nossas decisões e distorcer até o nosso juramento. No território das raposas e dos lobos, somos as galinhas e os cordeiros, fique certa disso. Contudo, venho, mui respeitosamente, adverti-la sobre a insistência em esperar alguma ação afirmativa com viés social por parte dos que nos governam. Não, eles já disseram ao que vieram!

No início do governo a senhora pedia “Deixem o presidente trabalhar gente”, passaram-se seis meses e a senhora reclamava dizendo “Temos que torcer para o governo dar certo”. Depois de um ano a senhora compartilhou no Facebook a frase do presidente “Terminamos o ano sem nenhuma denúncia de corrupção”! Então, eu queria que a senhora, d. Lúcia, opinasse sobre os esquemas nos gabinetes do presidente, quando era deputado, e dos seus filhos; queria entender, depois do desastre que é Bolsonaro, como a senhora ainda o defende.

Lembra quando a senhora afirmava que o filho do Lula era dono da Friboi? Por que não gira sua metralhadora para os filhos daquele outro, que comprovadamente são milicianos e estão envolvidos em crimes de corrupção, peculato e talvez no assassinato da vereadora Marielle e do motorista Anderson? A senhora normalizou os erros ortográficos do ministro da Educação, entendeu que o presidente agiu corretamente apoiando o terrorismo contra o Irã, mesmo que nossos jovens corram o risco de serem jogados em um campo de guerra por nada.

O seu presidente agride jornalistas, tem desprezo pela cultura e arte, faz piada quando devia ter responsabilidade, submete o Brasil à condição de pária internacional, mente ao dizer que estamos em recuperação econômica, é a favor da censura, da tortura e da ditadura. Prefiro acreditar, d. Lúcia, que a senhora ainda está sendo manipulada, não quero pensar que o neofascismo encontrou terreno fértil dentro do seu coração bondoso.

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