Carta aos congressistas

Não se submetam como cordeiros aos projetos de governo de Jair Bolsonaro, sobretudo aqueles lesivos à educação, saúde, geração de empregos e Direitos Humanos. Não cedam um milímetro na concessão de nossa soberania nacional, da devastação das nossas florestas, do extermínio dos povos indígenas

Carta aos congressistas
Carta aos congressistas (Foto: LUIS MACEDO - CÂMARA DOS DEPUTADOS)
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Excelentíssimos deputados e senadores do Congresso Nacional,

De antemão excluo os parlamentares que integram as bancadas da bala e evangélica, por não identificar entre eles qualquer um minimamente interessado em trabalhar pelo Brasil. Faço uma ressalva aos membros do grupo ruralista, na esperança de que alguém ali tenha consciência da importância do meio ambiente para o futuro dos seus negócios. O foco desta mensagem, no entanto, é majoritariamente destinado aos democratas, que transitam em todas as legendas e matizes políticos.

Não se submetam como cordeiros aos projetos de governo de Jair Bolsonaro, sobretudo aqueles lesivos à educação, saúde, geração de empregos e Direitos Humanos. Não cedam um milímetro na concessão de nossa soberania nacional, da devastação das nossas florestas, do extermínio dos povos indígenas. Lutem o bom combate em defesa da democracia, da política de boa vizinhança com nações amigas e parceiras comerciais. Não permitam retrocessos como o fim do Estatuto do Desarmamento, as ações afirmativas que garantiram inclusão aos negros e gays.

Avaliem cada medida econômica proposta pelo ministro Paulo Guedes sob a ótica do desenvolvimento, da proteção às nossas riquezas, da promoção do bem-estar social. Todos vocês foram eleitos para defenderem a soberania do Brasil, e não para consubstanciar os interesses do capital especulativo norte-americano.

Não temam o agora político Sérgio Moro. Ele já não representa a "reserva moral" da Justiça Brasileira, e a população já compreendeu o quanto contaminada estava suas decisões. Não cedam às chantagens, ameaças, pressões de qualquer natureza que maculem suas biografias. Respeitem e defendam intransigentemente a Constituição de 1988, não entreguem suas prerrogativas a um "conselho de notáveis" disposto a estuprar a Carta Magna que custou muitas vidas e sangue.

Bolsonaro não é a representação do pensamento do povo brasileiro. Foi eleito apenas com 39% dos votos válidos, num processo permeado por ilegalidades, mentiras, manipulação, ódio e, segundo investigações consistentes, muito dinheiro. Esse percentual se esfumaçará já nos seus primeiros meses de governo, a prosperar seu intuito de restabelecer a CPMF, onerando o trabalhador já massacrado por uma carga tributária brutal e covarde.

O ministro Paulo Guedes é um gênio para ganhar dinheiro com capital especulativo, mas um total incompetente em matéria de fortalecimento da economia pela produção e geração de empregos. Não há, no seu horizonte, qualquer medida capaz de reduzir o desemprego. Pelo contrário. A massa de desocupados aumentará em escala nunca vista no Brasil, gerando mais violência e medo na sociedade.

Todos vocês foram eleitos para construir um parlamento forte e independente. Rejeitem os acordos de liderança lesivos aos interesses da nação. Construam uma base aliada ao governo, se assim acharem conveniente, em cima de uma agenda mínima de proteção aos direitos do povo brasileiro. Não assinem cheques em branco para dar plenos poderes a um grupo político que chega ao Planalto sem debater com a sociedade que tipo de medidas tomarão.

Vocês farão parte de uma legislatura histórica, tendo a responsabilidade de ser o fiel da balança entre as loucuras do governo federal e a responsabilidade cívica de uma nação indivisível. Esta não é uma conclamação para a esquerda, centro ou direita, mas para todo homem público vocacionado para servir ao país e ao seu povo. Os senhores e as senhoras foram eleitos para isso.

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