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Marco Damiani

Marco Damiani é jornalista e diretor da sucursal do Brasil 247 no Rio de Janeiro. Já foi editor de Istoé, Istoé Dinheiro e atuou em Veja e Estado de S. Paulo.

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Cartas entreguistas

Correspondência entre Flávio e Rubio escancara ingerência externa e demanda punição

Marco Rubio e Flávio Bolsonaro (Foto: Reprodução Instagram @flaviobolsonaro)
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O slogan ‘chega de intermediários, Roberto Campos para presidente do Brasil’ era corrente na tiração de sarro que a esquerda fazia da ultradireita no tempo do regime militar. Flávio Bolsonaro traz à baila essa memória na troca de cartas entreguistas com o secretário de Estado Marco Rubio, dos Estados Unidos. Na mesma lógica, ele foi direto ao convidar os americanos a participarem da montagem de governo, desde o período de transição, em caso de a eleição presidencial terminar como ambos planejam. 

As cartas são provas escancaradas do pedido, pelo pré-candidato do PL, e da aceitação, pelo governo americano, de promover ingerência externa no processo eleitoral brasileiro. Para sublinhar a gravidade, tome-se o contrário com viés de caricatura. O candidato a presidente dos EUA é Flávio. Nesse faz de conta, Rubio se torna Wang Yi, o ministro dos Negócios Estrangeiros da China. Ambos trocam mensagens de confabulação. Teríamos, então, um senador americano convidando o mais alto diplomata chinês para mostrar a ele, aberta e oficialmente, como quer que os EUA sejam governados no caso de vitória dele na corrida à Casa Branca. E o chinês topando.

Na vida real, por muito menos - a suspeita de interferência da Rússia nas eleições presidenciais americanas de 2020, em favor do então candidato Donald Trump - houve muito mais. Após dois anos de investigação, o escritório do Diretor de Inteligência Nacional concluiu que a interferência de fato existiu. A Rússia sofreu sanções econômicas. Mas isso aconteceu nos EUA.

E no Brasil? Vai ficar por isso mesmo ou a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro sofrerá as consequências de fazer vassalagem para atrair a interferência dos Estados Unidos para dentro do processo eleitoral brasileiro? Isso pode, ministro Nunes Marques?

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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