Casa Grande Senzala

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Gilberto Freyre, em seu estudo sociológico apresentou em sua obra mais famosa Casa Grande Senzala, a narrativa de seu entendimento sobre as relações sociais no período colonial, estabelecendo uma relação de classes entre os senhores e os escravos para a formação das relações sociais do século XX.

Evidentemente que os mais de 300 anos de escravidão no Brasil ainda repercutem e têm digitais que permeiam o pensamento de setores de nossa elite que continuam considerar na pirâmide social, os despossuídos e os marginalizados como semoventes ou como descartáveis.

Pensamento mofado e revelador de um anacronismo civilizatório, mas que constitui umbilicalmente parte de nossa elite escravocrata, não pátria, violenta, atrasada, subordinada aos interesses internacionais, dependente do estado, patrimonialista e profundamente hipócrita em moralidade. Com estas características, o afloramento de seus preconceitos repercute e pauta nossa política onde, invariavelmente, os inquilinos da Casa Grande buscam perpetuar e estigmatizar a senzala numa verdadeira e inconteste luta de classes.

Paulo Guedes, representante legítimo e fiel do atraso intelectual de nossa elite, não titubeia em verbalizar este pensamento e, pior ainda, condiciona a política econômica brasileira a estes desígnios.

O filho do porteiro na universidade ou a transformação dos aeroportos em “rodoviária” é a causa mais fiel e profunda para a criminalização da política e para os golpes perpetrados em 1954, 1964 e 2016. Evidentemente cada qual à sua época, mas todos com o cerne da luta de classes e o afloramento preconceituoso de nossas elites.

Retóricas embusteiras da moralidade seletiva conduzidas por marginalias treinadas e dirigidas por instituições que não falam português, sempre se aproveitaram das características putrefatas de nossas elites a fim de atingirem seus propósitos na rapinagem de nossas riquezas.

Mesmo diante de nossa maior tragédia que já matou mais de 400 mil pessoas devido a pandemia, com o negacionismo e a irresponsabilidade criminosa do governo Bolsonaro, o seu ministro da Economia, aluno destacado da escola de Chicago, office-boy predileto do rentismo e dos interesses não pátrios,  acha  ensejo para preconizar sua miséria classista.

A reprodução de Casa Grande Senzala perpetua-se em nossa sociedade profundamente enferma, que permanece com conceituações ultrapassadas e adjetas, cheias de preconceitos e entrincheiradas de privilégios.

A questão não é o filho do porteiro, mas o pensamento de nossa elite que é ranzinza, azeda, medíocre, cobiçosa  e que não deixa o país ir para frente, já dizia Darcy Ribeiro.

O acesso à universidade ou aos bens de consumo não podem ser somente privilégio de nossas elites decadentes. É preciso avançar.

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