Censura do TSE acende o alerta para eleições de outubro

"Até quando essa “agilidade” da nossa Justiça Eleitoral estará realmente a serviço da Democracia?", escreve o jornalista Gilvandro Filho

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(Foto: Reprodução)


Por Gilvandro Filho, do Jornalistas pela Democracia

Não bastasse a abjeção em si da censura imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral, ao proibir manifestações políticas em um festival de música, o ato liga o sinal de alerta em relação às eleições de outubro. Até quando essa “agilidade” da nossa Justiça Eleitoral estará realmente a serviço da Democracia e arbitrará o pleito, com um mínimo de coerência? A julgar pelo que vive o País neste momento, vexame planetário em sua marcha regressiva de injustiça e de autoritarismo, há, sim, que se temer a melada que pode ocorrer nas eleições. Com o beneplácito de quem deveria, pelo menos na teoria, zelar por elas.

Além do desrespeito flagrante à Constituição e aos mínimos princípios democráticos, é difícil entender que o zeloso TSE não tenha visto, ainda, o que acontece do outro lado do cordão. Vivemos num país (des) governado por um arremedo de presidente da República que não faz outra coisa, desde que assumiu o poder, que não seja campanha eleitoral antecipada em benefício de sua própria reeleição. Até porque é o que pensa saber fazer.

Estão aí os índices pífios da economia, os desmandos criminosos do meio ambiente, o desmonte da educação dos pastores, a pataquadas corruptas  e negacionistas da saúde, o tratamento dado à própria justiça, o armamento estúpido dos aliados, à compra de apoio descarada do parlamento, com o Centrão e quejandos no leme da maracutaia. Tudo traduz uma nação à deriva nas mãos de alguém que só tem na cabeça se manter no poder e manter no comando os ideais da extrema direita mais retrógrada e potencialmente criminosa de que se tem notícia no país.

A justificativa da “campanha eleitoral antecipada”, usada para calar a boca de artistas nacionais e até (absurdo total!) estrangeiros, torna ainda mais patético o ato encomendado pelos bolsonaristas e entregue, com a presteza de um aplicativo, pelo TSE. Um ato que, inacreditavelmente, acontecia ao mesmo tempo em que o Partido Liberal lançava a campanha do seu escolhido para governar o Brasil, o mesmo presidente que hoje arruína o país. No ato político e eleitoral do PL, o candidato aceitou “o sacrifício” e prometeu uma eleição “do bem contra o mal”, entre outras sandices.

O lançamento da campanha presidencial antecipada não é nada de mais aos olhos do TSE. Como não é nada o discurso de candidato, as ameaças costumeiras aos adversários políticos, as caminhadas e “motociatas”, toda uma série de atos que corroboram o caráter destrutivo do tipo de gestão que se pretende manter no Brasil, a partir do ano que vem.

E fica o alerta.

Em 2018, o então candidato – na época pelo PSL – deitou e rolou e acabou se elegendo numa campanha de mentiras e de fakenews, de ofensas e de chantagens. Fugiu do debate político a bordo de um atentado até hoje estranho e mal explicado. Beneficiou-se de um juiz vingativo que tirou de cena e prendeu o adversário que se elegeria com a mão nas costas, segundo todas as pesquisas. Foi o presidente do golpe aplicado em um governo democrático e legítimo - o tempo e a justiça trataram de absolvê-lo de todas essas acusações fajutas. E este candidato que acenava (e cumpriu) com um governo antidemocrático, venceu a eleição, mesmo nas circunstâncias mais funestas. E não tinha a máquina do governo. Hoje tem.

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