Chamem ao palco o autor

O editor da Folha de São Paulo se aventura no teatro. Se fizer sucesso, pode ser a versão nacional do ator alemão que Klaus Mann retratou com o nome de Hendrik Hofgen, no seu romance Mefisto. Com a diferença de que aquele era um artista de teatro de muito talento que, por oportunismo, se colocou a serviço do nazismo. Sérgio Dávila, não demonstrando talento algum na tentativa de usar o teatro, com oportunismo, para defender a assustadora causa golpista

O editor da Folha de São Paulo se aventura no teatro. Se fizer sucesso, pode ser a versão nacional do ator alemão que Klaus Mann retratou com o nome de Hendrik Hofgen, no seu romance Mefisto. Com a diferença de que aquele era um artista de teatro de muito talento que, por oportunismo, se colocou a serviço do nazismo. Sérgio Dávila, não demonstrando talento algum na tentativa de usar o teatro, com oportunismo, para defender a assustadora causa golpista
O editor da Folha de São Paulo se aventura no teatro. Se fizer sucesso, pode ser a versão nacional do ator alemão que Klaus Mann retratou com o nome de Hendrik Hofgen, no seu romance Mefisto. Com a diferença de que aquele era um artista de teatro de muito talento que, por oportunismo, se colocou a serviço do nazismo. Sérgio Dávila, não demonstrando talento algum na tentativa de usar o teatro, com oportunismo, para defender a assustadora causa golpista (Foto: Aderbal Freire-Filho)

O editor da Folha de São Paulo se aventura no teatro. Se fizer sucesso, pode ser a versão nacional do ator alemão que Klaus Mann retratou com o nome de Hendrik Hofgen, no seu romance Mefisto. Com a diferença de que aquele era um artista de teatro de muito talento que, por oportunismo, se colocou a serviço de uma causa abominável, o nazismo. Sérgio Dávila, não demonstrando talento algum, ao menos nessa sua primeira tentativa (o resumo da peça que quer escrever está aqui), quer usar o teatro, com oportunismo, para defender a assustadora causa golpista que já defende no jornal que edita.

Ele deve saber que no teatro existe liberdade de expressão, o que falta na chamada grande imprensa brasileira. Ou alguém considera que há liberdade em um território amplamente dominado pelos porta-vozes de um lado só, que convoca para manifestações de um lado só, que acompanha ao vivo as manifestações de um lado só, que estampa manchetes com acusações contra um lado e esconde em notinhas raquíticas as acusações bem mais graves do outro lado, que defende qualquer medida para derrubar um governo legítimo, seja empunhando a bandeira da meia-corrupção, seja ajudando a oposição em todas as tentativas de imobilizar o governo.

Sérgio Dávila se diz inspirado no exemplo da peça Hamilton, da Broadway, sobre o político americano Alexander Hamilton. É um bom exemplo, que ele parece não ter assimilado. Ofereço-lhe um outro exemplo: na França, neste momento, um grande sucesso é a peça Bettencourt Boulevard, de Michel Vinaver, sobre o caso Bettencourt, o grande escândalo de corrupção que envolveu a empresa L'Oreal e o presidente Nicolas Sarkozy. Todos aparecem na peça com seu nomes verdadeiros, como os fundadores e gestores da empresa, ministros e o próprio Sarkozy.

A vantagem, na França, é que não só o teatro é livre, mas a grande imprensa tem a liberdade de expressão que falta aqui. Não custa insistir: os dois maiores jornais franceses são o Le Monde, à esquerda, e o Fígaro, à direita. Aqui, o teatro precisa montar não a peça de tema repetitivo do Sérgio Dávila, mas uma peça que fale das relações perigosas das privatizações de Fernando Henrique Cardoso, que tenha uma cena em um restaurante onde jantam José Serra, Armínio Fraga e Gilmar Mendes, na véspera de Mendes cassar a nomeação de Lula do Ministério, e muito mais. Nós, no teatro, somos livres. Por isso também estamos lutando, para não perdermos a liberdade em mais um golpe. Conhecemos essa história.

Nosso teatro precisa fazer uma peça que tenha o caráter histórico que falta a peça do editor da Folha. Cito o editor de Bettencourt Boulevard, na apresentação do texto: "o que interessa a Michel Vinaver é o presente, mas também o passado, suas raízes na história da França (do Brasil!) dos cem últimos anos e seus prolongamentos em que o íntimo, o político e o econômico de misturam indissoluvelmente". Enfim, existem editores (editor da L'Arche, de Paris) e editores (o editor da Folha, de São Paulo).

A Sérgio Dávila não interessa o passado. E nem interessa o presente em sua totalidade, só interessa meio-presente. Claro que se a imprensa fosse livre, essa farsa que ele já edita (uma farsa já é, pelo menos, uma iniciação ao teatro) não conseguiria se manter em pé. Porque uma roubalheira monstruosa, um esquema que vem sendo montado há anos, décadas (o do mensalão talvez não tenha sido montado pelo PSDB, como se provou e a grande imprensa esconde: o PSDB aperfeiçoou) não ia caber em notinhas de pé de página. Enquanto isso, a grande imprensa tenta provar que todos os bilhões desviados da Petrobrás, serviram para comprar um apartamento de classe média, numa praia de classe média, um bote e dois pedalinhos. Que tal procurar esses bilhões, os da Petrobrás, os de Furnas, os das privatizações, os do HSBC, os da CBF, muitos outros, onde eles realmente podem estar?

Enfim, Sérgio Dávila, faça sua peça que faço a minha e sei que vou encontrar muitos e muitos artistas do teatro brasileiro que vão querer fazer junto. A sua com certeza vai encontrar patrocinadores, pois são eles que decidem a quem dar patrocínio na Lei Rouanet e não, como você quer difundir no seu jornal, os agentes do governo.

Termino falando da fixação na fase anal, citada por você. Você quer se referir a uma expressão que todo mundo usa, mas veja só: você, por vício de ofício (de jornalista parcial) só acha de falar em fixação quando é o Lula quem diz. Eita, parcialidade! Bom, se sua peça for encenada, espero que na noite da estreia, quando chamarem o autor ao palco, um maracanã fixado na fase anal te saúde!

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