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Mario Vitor Santos

Mario Vitor Santos é jornalista. É colunista do 247 e apresentador da TV 247. Foi ombudsman da Folha e do portal iG, secretário de Redação e diretor da Sucursal de Brasilia da Folha.

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Chapa Milei-Villaruel leva campanha eleitoral a enfrentar os demônios da ditadura argentina

Na pesquisa divulgada mais recentemente, Milei tem 36%, Massa 30 e Bullrich 24, direita espremida entre o extremista e o centro

Javier Milei, candidato de extrema-direita a presidente da Argentina (Foto: REUTERS/Mariana Nedelcu)
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A campanha eleitoral na Argentina vive uma inflexão desde esta segunda-feira, com a realização do "ato de homenagem às vítimas do terrorismo" encabeçado por Victoria Villaruel, candidata a vice-presidente na chapa de Javier Milei, o "gritão despenteado" ultraliberal, primeiro colocado nas primárias do mês passado.

O ato, no prédio da Assembleia Legislativa  da cidade de Buenos Aires, com restrições à mídia, foi respondido por outra manifestação do lado de fora convocada por diversas organizações de direitos humanos.

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A iniciativa de Villaruel, filha e sobrinha de militares comprometidos com a repressão da ditadura militar argentina (1976-1983), lança a candidatura de Milei num terreno perigoso, parecido com o que assolou o Brasil nos últimos anos, justo num momento em que Milei parecia querer evitar ser associado a Bolsonaro. 

Em seu pronunciamento, Villaruel afirmou que "é hora de reivindicar aqueles que lutaram contra os grupos terroristas que tentaram instalar o comunismo na Argentina e que hoje estão presos injustamente por uma Justiça enviesada e manipulada pela esquerda".

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A candidata a vice já deixou transparecer que reveria as punições aos responsáveis pelos 30 mil mortos e desaparecidos (número que ela nega) durante os sete anos de ditadura. Os  responsáveis, muitos deles presos, poderiam vir a ser libertados. 

Novas manifestações de repúdio estão sendo convocadas para os próximo dias, com a participação das mães e avós da Plaza de Mayo. Estas, aliás, recentemente anunciaram a descoberta e restituição do 133⁰ neto desaparecido durante a ditadura.

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Com seu gesto, Villaruel posiciona a candidatura de Milei, até agora marcada mais por um liberalismo econômico devastador, em terreno ainda mais plenamente radical, reabrindo as feridas da ditadura e expondo o negacionismo sobre as responsabilidades do Estado argentino quanto às graves violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura.

Foram ao ato de Villaruel personagens sinistros como a ativista de ultradireita Dekfine Wagner, comentarista do canal Crónica TV, que chegou junto com Ximena Tizanos Pinto, vizinha de cima de onde vivia Cristina Kirchner quando da tentativa de assassinato no ano passado. Wagner vive hoje na casa de Ximena. Esta, por sua vez, ofereceu ajuda em mensagem a Brenda Uliarte, suspeita de coautoria do atentado frustrado, no dia seguinte à tentativa.

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O candidato de La Libertad Avanza não terá como evitar dar nova roupagem a um discurso decorrente da Guerra Fria, que pode ser útil para polarizar com os peronistas e evitar a ascensão da candidata de direita Patricia Bullrich, segunda colocada nas primárias, na disputa pelo voto conservador.

Pode, em teoria, também beneficiar um confronto com o candidato da União pela Pátria (peronista), o ministro da Economia Sergio Massa, herdeiro da tradição de centro-esquerda do justicialismo  majoritariamente contrária à ditadura. Milei pode preferir Massa como adversário num eventual segundo turno, a ser disputado em 19 de novembro entre os dois candidatos mais votados no primeiro turno de 22 de outubro. 

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A aposta de Milei seria investir na rejeição a Massa, que tenta domar uma inflação anual de 115,6%, e uma súbita desvalorização o peso de 20% logo após as primárias de agosto.

De algum modo um segundo turno está nas previsões tanto de Massa como de Milei, se este não vencer já no primeiro turno. Um segundo turno entre ambos recolocaria o legado da ditadura em questão. 

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Este não parecia ser o plano de vôo de Massa, que se apresenta como o candidato que não foge das (imensas) dificuldades econômicas.

Ele pode ser forçado a polarizar contra o lodo reacionário da extrema-direita, com tudo que isso implica de investimento em ideias de "esquerda" que não são muito suas. Saberá fazê-lo? O presidente Lula já lhe aconselhou a se preocupar menos com dólares e mais com votos.

Na pesquisa divulgada mais recentemente,  Milei tem 36%, Massa 30 e Bullrich 24, direita espremida entre o extremista e o centro.

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