Charge utilizada no Enem reforça preconceito

Existe uma tendência quase ideológica de combater a agricultura tradicional em detrimento da produção de alimentos orgânicos – que também precisam de defensivos. Isso não faz sentido

Existe uma tendência quase ideológica de combater a agricultura tradicional em detrimento da produção de alimentos orgânicos – que também precisam de defensivos. Isso não faz sentido
Existe uma tendência quase ideológica de combater a agricultura tradicional em detrimento da produção de alimentos orgânicos – que também precisam de defensivos. Isso não faz sentido (Foto: Luiz Roberto Barcelos)

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que avalia estudantes de todo o país para acesso a universidades públicas, trouxe charge do cartunista Amarildo sobre um suposto uso excessivo de "agrotóxicos" no país. A charge sugeria que as pessoas estariam sendo envenenadas ao consumir hortaliças, legumes e frutas. Diante da relevância do tema, é importante informar corretamente mais de 5,8 milhões de jovens brasileiros.

O primeiro ponto é o nome, que já carrega uma conotação necessariamente negativa: agrotóxico. No mundo inteiro, usam-se as palavras defensivo ou pesticida. Notem que o nome muda completamente a abordagem. A sabedoria popular mostra que a diferença entre veneno e remédio é a dosagem. Se bem utilizados, seguindo todas as normas de segurança, os defensivos agrícolas são remédios para as plantas. Eles curam os vegetais e os protegem das pragas.

Vamos ao segundo ponto. O Brasil utiliza os defensivos excessivamente como a charge sugere? De jeito nenhum. Somos os maiores produtores agrícolas em região tropical do mundo. Não temos, naturalmente, invernos rigorosos – que acabam atuando no controle de pragas em países de clima temperado. Aqui no Brasil, as altas temperaturas durante a maior parte do tempo criam cenário favorável para espécies que destroem nossas plantações. Portanto, sem o uso de defensivos agrícolas, seria impossível produzir em larga escala.

Todo e qualquer defensivo vendido no país traz no rótulo informações sobre o prazo que deve ser respeitado entre a última aplicação do produto e a data da colheita. Esse prazo é calculado com boa margem de segurança para que as substâncias químicas contidas no produto sejam eliminadas e que nenhuma quantidade de defensivo chegue às mesas dos brasileiros.

Informações equivocadas podem causar um grande mal, pois podem afastar o consumidor, prejudicar a cadeia produtiva e ainda acarretar em problemas de saúde pública, uma vez que podem desestimular o consumo de frutas, legumes e verduras em detrimento de alimentos que realmente fazem mal. Isso num país cuja mais da metade da população está acima do peso.

Existe uma tendência quase ideológica de combater a agricultura tradicional em detrimento da produção de alimentos orgânicos – que também precisam de defensivos. Isso não faz sentido. Há espaço e oportunidade para todos. Em vez de ideologia, sigamos a ciência, que mostra que se bem utilizado, os defensivos só trazem benefícios: frutas legumes e verduras de boa qualidade em grande quantidade. Portanto, não é o uso desse tipo de produto que deve ser combatido, mas seu mau uso.

O setor agroindustrial no Brasil emprega 40 milhões de pessoas, sustenta a economia com recursos e, mais importante, com alimentos. As frutas brasileiras são referência de qualidade no mundo, reconhecidas por seu alto nível de açucares e vitaminas. Não faz sentido que nós brasileiros joguemos contra uma atividade importante para a saúde da economia e fundamental para a saúde dos Brasileiros.

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