Chumbo grosso contra pobres e paupérrimos

Desmentindo Bolsonaro, equipe econômica tenta tirar renda de miseráveis e despossuídos, escreve Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia

(Foto: Esq.: Alan Santos - PR / Dir.: Agência Brasil)
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Por Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia

Em 25 de agosto, ao descartar uma proposta de abolir o abono salarial, Jair Bolsonaro afirmou:  "não posso tirar de pobres para dar para paupérrimos".

Os jornais de hoje informam que, além de tirar dos pobres,  Bolsonaro também pretende tirar dos paupérrimos.

Do ponto de vista social e econômico, o plano não poderia ser mais descarado, escandaloso.

No país da inflação do arroz, onde a renda dos aposentados garante a despensa de inúmeras famílias e não se enxerga o menor sinal de recuperação econômica,  pretende-se congelar aposentadorias e pensões por dois anos, medida que atinge o orçamento de 30,4 milhões de pessoas, ou 15% da população brasileira. Mas não é só.

Treze meses  depois da nefasta a reforma da Previdência, quando um acordo de lideranças do Congresso derrotou uma proposta de estrangular o Benefício de Prestação Continuada, a equipe econômica volta a cena para  tentar atingir a população mais vulnerável.

A idéia é dificultar o acesso ao BPC para quem ainda não conquistou o benefício e facilitar a exclusão daqueles que já conseguiram garantir um salário mínimo mensal depois de cumprir  indispensáveis exigências legais.  

Num país onde um terço dos 4,6 milhões de beneficiários precisa bater as portas dos tribunais para assegurar seus direitos, o governo pretende ampliar dificuldades para a concessão de novos beneficios.

Também tentará  promover revisões que podem implicar no cancelamento de até 50 000 benefícios por mes -- ou 600 000 por ano, nada menos que 15% do total de brasileiros e brasileiras que têm direito ao BPC.

Apresentadas como instrumentos para sustentar o programa Renda Brasil, com o qual Bolsonaro pretnde apagar a memória política do Bolsa Famíla, essas novidades são uma lição de economia política a disposição de brasileiros e brasileiras.

Enquanto o Bolsa Família ajudou a reorganizar a economia, distribuiu de renda e estimulou o crescimento nas áreas abandonadas do país, o projeto de Bolsonaro diminui direitos, eleva o grau de exploração e concentra riqueza entre as famílias de sempre.

Alguma dúvida? 

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