Cidadãos e militantes

"A comentarista da Globo News, Eliane Cantanhêde, disse que a diferença entre as manifestações dos dias 13 e 18 era que nos atos contra o governo os que foram às ruas eram cidadãos e nos atos a favor do governo eram militantes. Mais essa: militante não é cidadão!", diz o diretor teatral Aderbal Freire-Filho, em artigo para o 247; "A grande diferença dos atos não foi essa. Nas manifestações contra o golpe existia um político que representava um projeto de país, que podia falar com os cidadãos que militam por esse projeto e o defendem, que podia mostrar sua cara apesar da infinidade de ataques que sofre, de golpes baixos de toda espécie, de manipulações. E em quem os cidadãos que têm consciência politica, militantes ou não, acreditam"

"A comentarista da Globo News, Eliane Cantanhêde, disse que a diferença entre as manifestações dos dias 13 e 18 era que nos atos contra o governo os que foram às ruas eram cidadãos e nos atos a favor do governo eram militantes. Mais essa: militante não é cidadão!", diz o diretor teatral Aderbal Freire-Filho, em artigo para o 247; "A grande diferença dos atos não foi essa. Nas manifestações contra o golpe existia um político que representava um projeto de país, que podia falar com os cidadãos que militam por esse projeto e o defendem, que podia mostrar sua cara apesar da infinidade de ataques que sofre, de golpes baixos de toda espécie, de manipulações. E em quem os cidadãos que têm consciência politica, militantes ou não, acreditam"
"A comentarista da Globo News, Eliane Cantanhêde, disse que a diferença entre as manifestações dos dias 13 e 18 era que nos atos contra o governo os que foram às ruas eram cidadãos e nos atos a favor do governo eram militantes. Mais essa: militante não é cidadão!", diz o diretor teatral Aderbal Freire-Filho, em artigo para o 247; "A grande diferença dos atos não foi essa. Nas manifestações contra o golpe existia um político que representava um projeto de país, que podia falar com os cidadãos que militam por esse projeto e o defendem, que podia mostrar sua cara apesar da infinidade de ataques que sofre, de golpes baixos de toda espécie, de manipulações. E em quem os cidadãos que têm consciência politica, militantes ou não, acreditam" (Foto: Aderbal Freire-Filho)

A comentarista da Globo News, Eliane Cantanhêde, disse que a diferença entre as manifestações dos dias 13 e 18 era que nos atos contra o governo os que foram às ruas eram cidadãos e nos atos a favor do governo eram militantes. Mais essa: militante não é cidadão! Pra começar: nos atos contra o golpe os cidadãos não militantes eram maioria, embora tão entusiasmados quanto os bravos cidadãos militantes e muito orgulhosos deles.

Por que não havia nenhuma militância nos atos pelo impeachment ? (Golpe, impeachment, vejam que respeito as nomeações: impeachment para uns, golpe para outros). Porque ali não havia propriamente causas, ideais. Ali só havia uma bandeira, a mesma que os defensores de privilégios sempre tiveram: a corrupção. Os dominadores de sempre colocam essa bandeira nas mãos dos despolitizados – essa, sim, a imensa maioria dos cidadãos de verde-amarelo fifa – e escondem seus verdadeiros propósitos, isto é, manter as coisas como sempre foram. Inclusive a corrupção. Ou, quando eles estiveram no poder, houve alguma vez combate sistemático à corrupção?

Uma das razões que desqualifica a militância, aos olhos dos que lhes negam a cidadania, é o fato de que elas seriam convocadas: o PT convoca a militância sempre que quer ir às ruas, eles dizem. Por essa lógica, tenho que reconhecer: tinha sim militância nos atos contra o governo, a militância da Globo. Nunca – na história desse país – houve tanta convocação. Teve até anuncio suspeito: rolou nas redes sociais uma convocação feita por queridos atores da Globo, que a atriz Leticia Sabatella denunciou como uma falsificação.

A grande diferença dos atos não foi essa. Nas manifestações contra o golpe existia um político que representava um projeto de país, que podia falar com os cidadãos que militam por esse projeto e o defendem, que podia mostrar sua cara apesar da infinidade de ataques que sofre, de golpes baixos de toda espécie, de manipulações. E em quem, apesar disso, ou por causa disso, os cidadãos que têm consciência politica, militantes ou não, acreditam.

Repito, cidadãos que têm consciência política. Como muitos outros que estavam de alguma forma na manifestação, através de manifestos, encontros e atos: Antonio Candido, Alfredo Bosi, Evaristo de Moraes Filho, Candido Mendes, Marco Luchesi, Luiz Carlos Bresser Pereira, Paulo Cesar Pinheiro, Maria Rita Kohl, Luis Pingueli Rosa, Maria Victoria Benevides, Roberto Amaral, Dalmo Dallari, Rogério Cezar de Cerqueira Leite, Luiz Gonzaga Belluzzo, centenas. Podia dar um único exemplo para falar da falta de cultura política da grande maioria dos que vão às manifestações a favor do impeachment (repito que não concordo com a nomeação, mas respeito): o colunista Azevedo, que tem a cara de pau de se referir a Antonio Candido como um  “petista disfarçado de intelectual independente”, sabe que falta não só cultura política a seus leitores e seguidores, mas que falta cultura.

Então. Um político podia falar, ser ouvido, aclamado na manifestação contra o golpe. Qual político poderia fazer isso do outro lado? Aécio Neves e Geraldo Alkmin bem que tentaram e se deram mal. Será que Fernando Henrique Cardoso, que saiu do governo tão desprestigiado, que foi escondido nas campanhas do seu partido para não atrapalhar seus candidatos e agora posa de estadista? Duvido. Talvez Sérgio Moro, mas qual é seu programa de governo? Talvez Jair Bolsonaro, que não têm militância, mas quer ter militares.

Termino com outro comentário de Eliane Cantanhêde, na Globonews. Dizia ela: a militância que já esteve na rua contra a corrupção, agora apoia Lula e o governo acusado de corrupção. Digo eu: os cidadãos militantes e os cidadãos não militantes que estavam nas manifestações contra o golpe, continuam contra a corrupção. Com duas diferenças. Primeira: eles querem a apuração das acusações de todos e não só as de um lado. Segunda: eles vão continuar lutando contra a corrupção, enquanto os que não têm consciência política, quando e se derrubarem o governo, vão se desmobilizar, voltam para suas vidas de quem não se interessa por política e vão deixar a corrupção continuar. Como sempre.

Conheça a TV 247

Ao vivo na TV 247 Youtube 247