Cinema: Nos labirintos do capitalismo miúdo popular
"O filme de ação paraguaio “7 Caixas” revela criatividade e competência técnica em todos os níveis"
7 Caixas trabalha o capitalismo miúdo das camadas populares. Não é à toa que o filme se passa inteiramente dentro de um grande e labiríntico mercado, semelhante a um bazar árabe ou uma feira indiana. Ali as trocas se fazem entre tudo e todos: produtos, serviços, celulares, informações, amores, sexo, liberdade.
Quando agarra sua oportunidade (transportar sete misteriosas caixas de um ponto a outro do mercado e com o dinheiro ganho comprar o celular dos seus sonhos), o garoto Victor fará de tudo para não perdê-la. No seu encalço, saem policiais, comerciantes e concorrentes numa desabalada aventura por vielas, barracas e galpões.
O que primeiro nos entusiasma, confrontando nossos velhos estereótipos sobre as precariedades paraguaias, é a qualidade técnica e artística do thriller. Os atores são perfeitos, o trabalho de câmera e luz é inventivo, o ritmo é irresistível. A exploração visual dos movimentos dos carrinhos de carga é um primor de criatividade. O roteiro, extremamente engenhoso, mescla inocência, comicidade direta, humor negro, suspense, expectativas bem construídas e narrativas paralelas impecáveis.
A sátira à corrupção em diversos níveis é feita sem discursos, mas na pura exposição de situações corriqueiras e hilariantes. Enfim, um filmaço que coloca o Paraguai no mapa da produção contemporânea.
>> 7 Caixas está na plataforma gratuita Sesc Digital até o dia 3/10.
O trailer:
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

