Cinema: Suellen, Rolex e “cura gay”

O argumento potente e o elenco em ponto de bala credenciam “Pedágio”, mas o roteiro demandaria mais “eletricidade” para revelar seu potencial

(Foto: Divulgação)


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Depois de Carvão, Carolina Markowicz volta com mais um filme de argumento potente e tendo uma Maeve Jinkings cada vez melhor à frente do elenco. Em Pedágio, a atriz pernambucana assume o papel de Suellen, uma mulher do povo angustiada porque seu filho adolescente (Kauan Alvarenga) faz vídeos se requebrando e mimetizando Billie Holiday ou Dinah Washington.

Ela já se cansou de acender “velas de virilidade” e acaba aceitando a dica de uma colega para inscrever o menino num curso de “ressignificação bio-energética” ministrado por um certo pastor português (Isac Graça). Mas o curso é caro, daí que, para obter mais recursos, ela vai ajudar o namorado num esquema de assaltos de relógios a partir da cabine de pedágio onde trabalha na Rodovia Anchieta.

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Um mix de intenções parece estar na base desse filme. De um lado, há o desejo de dramatizar a rejeição de muitos pais à condição de gay dos filhos e a crença ainda persistente de que existe uma “cura” para o que consideram como uma doença ou desvio. De outro, há o intento de satirizar essa opção, seja nas argumentações canhestras da amiga de Suellen, seja na caracterização propositadamente ridícula do pastor lusitano e seu método.

De quebra, percebe-se o propósito de comentar um certo modo de vida popular mediante a sobrecarga de elementos bregas, estampados, coloridíssimos. Na paisagem poluída de Cubatão, as esculturas cafonas, os restaurantes de fast food, bufês de caminhoneiros e churrascos à beira da estrada compõem um cenário favorável aos enganos que uma mulher como Suellen é levada a cometer por um misto de ingenuidade e oportunismo.

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É curioso que o objeto da ação sejam relógios de pulso, item de uso cada vez menos corrente. Sobretudo os da marca Rolex, hoje mais afeitos ao rol de presentes roubados por um certo ex-presidente da República.

Carolina Markowicz repete a parceria com Silvia Lourenço na preparação do elenco, item que, como em Carvão, garante o êxito de sua encenação marcadamente naturalista. Ainda assim, o ritmo das cenas é muitas vezes lento demais para o que as situações exigiriam. O mote central do argumento (os assaltos) só dá as caras depois de transcorrido mais da metade do filme, com prejuízo para a captação do interesse do público.

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Eis um roteiro que demandaria mais “eletricidade” para revelar seu potencial antes que o epílogo feche os trabalhos com um golpe de mestre.

>> Pedágio está no cinemas.

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O trailer:

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