Cocaína-Ibope muda política ultraneoliberal de Guedes

Vai se confirmando que o grande gargalo da economia não são os gastos sociais, mas os desembolsos financeiros especulativos, responsáveis por paralisar tudo, gerando 14 milhões de desempregados, 30 milhões de desocupados e 60 milhões de inadimplentes, mais de 100 milhões de não consumidores no anti-capitalismo tupiniquim. Desastre total

Coca-Ibope descongela economia

O ministro da Fazenda, Paulo Guedes, no auge da crise política detonada pela bomba da cocaína no avião presidencial e prestígio popular em queda, revelado pelo Ibope/CNI, muda política econômica: mandou o BC reduzir a alíquota do depósito compulsório para liberar dinheiro para o mercado, a fim de aquecer a economia estagnada pelo congelamento neoliberal imposto pelo golpe de 2016, em nome do ajuste fiscal, apoiado pelos credores. Inicialmente, o BC liberou R$ 8 bilhões, uma ninharia. Guedes deu mais pressão e mandou soltar R$ 100 bilhões. Na prática, rendeu-se à Maria Lúcia Fattorelli, coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida, movimento que se espraia forte pelo Brasil afora. Ela, no debate sobre dívida, no Senado, na terça, 25, com diretores do Banco Central, disse que a política monetária praticada pelo BC é responsável pelo desajustes das contas públicas. Desbancou o argumento dos neoliberais de que a Previdência é a grande culpada pelo déficit público. Balela. Do total do Orçamento Geral da União, realizado, em 2018, os gastos previdenciários representam 27,5%, enquanto o pagamento de juros e amortizações consome 40%. Os neoliberais, que deram o golpe de 2016, congelaram, por vinte anos, pela PEC 95, os gastos não-financeiros(saúde, educação, segurança, infraestrutura etc), enquanto mantiveram descongelados os gastos financeiros. 

Dinheiro sobra no caixa 

Os monetaristas radicais do BC, disse Fattorelli aos senadores, seguram, no caixa do governo, algo em torno de R$ 4 trilhões: R$ 1,27 trilhão, no Tesouro Nacional; R$ 1,13, no caixa do BC, mais 375 bilhões de dólares((R$1,453 trilhão), correspondentes às reservas internacionais, aplicadas em títulos da dívida pública americana, que não rende um centavo de juros atualmente. Por que esse dinheiro não irriga a economia, tirando ela da recessão, a fim de combater desemprego incontrolável? Teorizam que enxugam o dinheiro do mercado para combater a inflação, que decorre do excesso de consumo da população. Tese completamente furada, como demonstraram políticas econômicas adotadas pelos governos dos países capitalistas desenvolvidos depois do crash de 2008, produzido pela especulação financeira sobre endividamento excessivo dos governos. Desmentindo que a inflação representa fenômeno monetário, como dizem os neoliberais, os BCs ampliaram a oferta de moeda na circulação capitalista e derrubaram para zero ou negativa a taxa de juros. Se mantivessem juros positivos, o capitalismo iria aos ares. A inflação, em vez de subir, confirmando a teoria, caiu, desmoralizado os teóricos. O capitalismo, no momento atual, de guerra comercial, não suporta mais juro positivo, pois estouraria as dívidas públicas, produzindo bolhas especulativas irresistíveis. É o que está falando, já algum tempo, o economista André Lara Resende, um dos ideólogos do Plano Real, que considera os economistas do governo, herdeiros da rainha Vitória, ultra-ortodoxos, responsáveis por jogarem economia brasileira no buraco. 

Voz da resistência 

A pregação de Maria Lúcia Fattorelli bateu fundo no Senado, deixando os técnicos do BC, falando javanêz, como diria o grande Lima Barreto. A liberação do compulsório na casa dos R$ 100 bilhões, se for, realmente, para aquecer a atividade produtiva, ampliando crédito, e não para pagar juros aos bancos, o que seria, novamente, enxugar gelo, começa a mudar o cenário econômico neoliberal. Paulo Guedes, ultraneoliberal, diante do colapso financeiro dos agentes econômicos, que sinalizam PIB negativo nesse ano e no próximo, quicá, também, em 2021, começou a perder a parada. Afasta, dessa forma, a desmoralização que teria de enfrentar, se conseguisse passar, no Congresso, a reforma da Previdência, já que sua simples aprovação não produziria retomada do desenvolvimento. Assim, já vai entregando os anéis para não ter que perder os dedos, pois, afinal, o presidente Bolsonaro poderia despachá-lo ao perceber que não teria o que oferecer à sociedade, depois de apostar todas as suas fichas no Posto Ipiranga, sem combustível algum. O fato evidente é que vai se confirmando que o grande gargalo da economia não são os gastos sociais, mas os desembolsos financeiros especulativos, responsáveis por paralisar tudo, gerando 14 milhões de desempregados, 30 milhões de desocupados e 60 milhões de inadimplentes, mais de 100 milhões de não consumidores no anti-capitalismo tupiniquim. Desastre total.

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