Coexistindo visceralmente

Paulatinamente deixamos de nos encantar, germinamos o sentimento desesperançado, renunciamos ao altruísmo à mercê da mesquinhez de nosso egoísmo, de nossa estupidez; afinal,para existirmos não podemos tolerar as diferenças, a vivência de um pensar diferente

Forças de segurança venezuelanas pegam fogo durante protesto contra o presidente Nicolás Maduro, em Caracas REUTERS/Ueslei Marcelino
Forças de segurança venezuelanas pegam fogo durante protesto contra o presidente Nicolás Maduro, em Caracas REUTERS/Ueslei Marcelino (Foto: Henrique Matthiesen)

Vivenciamos o retrocesso primitivista da patologia odienta das desideologia, onde a gratuita agressão, a aversão de classe, a perda da humanidade, se afloram sem o menor constrangimento.

Paulatinamente deixamos de nos encantar, germinamos o sentimento desesperançado, renunciamos ao altruísmo à mercê da mesquinhez de nosso egoísmo, de nossa estupidez; afinal,para existirmos não podemos tolerar as diferenças, a vivência de um pensar diferente.

Os sonhos e a utopia cedem lugar ao pragmatismo selvagem, a severa e impudica relação de robotização humana, do estabelecimento padronizado das relações e dos preconceitos.

Afortunados são os que rompem esse ciclo perverso e degradante que expõem as mais profundas misérias humanas, e que conseguem afetar e iluminar o tenebroso tempo em que vivemos com uma existência intensa em sonhos, em utopias, em lutas, em amor, em paixões que germinam do mais profundo interior de sua alma, os que coexistem visceralmente.

Virtuosos na existência visceral os sentimentos de gratidão, de companheirismo, de grandeza, ao reconhecer a cumplicidade e o valor dos que juntos não permitiram uma existência medíocre.

Evoluídos em caráter, em abdicação aos que amaram e amam a existência, e conceituam o todo em suas opções de bem estar ejustiça.

Honrosa mulher, guerreira ereta em dignidade e em cálices, Dilma Rousseff que, ao se despedir de seu companheiro Carlos Araujo demonstra a face mais humana da existência visceral.

Generoso tributo prestado ao companheiro, parceiro, conselheiro ao perfilhare comungar suas mais intensas características, dentre elas a coragem, a bravura, a grandeza, o de não esmorecer, num brilhar visceral dos que ousam sonhar.

A imposição e indelicadeza dos que afrontaram e afrontam asvossas existências não obscureceram vossas vidas, não amargaram os sentimentos, não apequenaram os sonhos, não obstaculizaram os encantamentos.

Oportuna e poética reflexão ao invocar o mineiro Guimarães Rosa e citar que “o mundo é mágico. As pessoas não morrem, ficam encantadas.”

Encantados ficam os que dão sentido à existência, os que não renunciam a visceral opção de sonhar, de cativar, de amar, de não se robotizar e de não odiar.

Vivemos visceralmente nossos sonhos de justiça.

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