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Marcelo Zero

É sociólogo, especialista em Relações Internacionais e assessor da liderança do PT no Senado

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Coincidência?

Ingerência no processo político interno do Brasil visa, por vias tortuosas, prejudicar a economia brasileira

Donald Trump, Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro (Foto: Donald Trump/Redes sociais)
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Primeiro, o Departamento de Estado dos EUA resolve, sem nenhuma justificativa técnica, classificar o PCC e o Comando Vermelho como “organizações terroristas”, abrindo caminho para uma série de intervenções financeiras, comerciais, econômicas, políticas e até mesmo militares contra o Brasil.

Em rápida sequência, após praticamente 18 meses com o cargo de embaixador vago, os EUA resolvem nomear para representá-los no Brasil, Daniel Perez. Republicano e atual Presidente da Câmara dos Representantes da Flórida Daniel, descendente de cubanos, é bastante afinado ideologicamente com Marco Rubio e com o grupo de anticastristas que domina os conservadores extremistas da Florida. Sua missão geopolítica, será, evidentemente, assegurar a aplicação da “Doutrina Donroe” no Brasil.

Em terceiro, 2 dias depois desse anúncio,  o USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) propôs, em documento divulgado no final da noite desta segunda-feira (1°), a imposição de tarifas de 25% sobre todas as importações do Brasil, exceto para mercadorias que se enquadram como "sujeitas às tarifas de segurança nacional", como café, carnes e alguns minérios.  

Essa proposta punitiva contra economia também não tem nenhuma base técnica sólida. Observe-se que o Brasil é uma das poucas grandes economias que tem déficit comercial com os EUA. Apenas em 2025, segundo os próprios dados do USTR, o Brasil apresentou um déficit comercial com os EUA de cerca de US 20  bilhões, incluída a balança dos serviços. Em 2024, foram US$ 28 bilhões de déficit contra o Brasil. 

Porém, segundo o USTR, "certos atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico ( leia-se PIX); tarifas preferenciais desleais; aplicação de medidas anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal ( que está caindo celeremente) são irrazoáveis ​​e oneram ou restringem o comércio dos EUA, sendo, portanto, passíveis de ação judicial nos termos da Seção 301(b) da Lei de Comércio".

Ora, não temos dúvidas que esses 3 fatos, que surgiram rapidamente em sequência em pleno ano eleitoral, não resultaram de mera coincidência. Eles destinam-se a provocar ingerência no processo político interno do Brasil, visando, por vias tortuosas, prejudicar a economia brasileira, a imagem do país, do seu governo, de suas empresas e do seu sistema financeiro, com o intuito último de tumultuar o processo eleitoral nacional. Também não parece haver dúvidas que os bolsonaristas impulsionaram essas medidas contra o Brasil.

Outras medidas poderão vir. Bolsonaristas e trumpistas uniram-se para atacar o Brasil, sua economia e sua população. 

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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