Colapso na saúde gaúcha: é preciso mudar a estratégia

Não duvidemos de uma coisa: até que todos os adultos gaúchos recebam a vacina, ainda dá tempo da façanha de muitos erros voltarem a serem cometidos. Faremos tudo da mesma forma?

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Por Leandro Minozzo

As últimas semanas têm trazido dor, medo e uma sensação de impotência generalizada frente à pandemia. O que poderia ter sido feito? E quais caminhos para evitarmos mais mortes e retornarmos o mais breve possível a um nível "mais controlado de caos"? Estamos aqui com saúde, enquanto há milhares de gaúchos lutando pela vida com cânulas de plástico de todos os diâmetros lhes insuflando um ar gelado, pelo nariz ou pela traqueia. Queremos a bandeira vermelha, a laranja, a verde. Qualquer bandeira que nos distanciava, de certa forma, do COLAPSO como o que se apresenta. Queremos sair, queremos que acabe o quanto antes. Que venham dias que pessoas conhecidas não internem, não morram, não se transformem em mais números.

Esse período triste que passamos provavelmente levará à diminuição no número de novos casos em algumas semanas. Essa redução se dará não tanto pela cor da bandeira, mas pelos fatos que tardiamente a impuseram e a mantém: temos o COLAPSO continuado do sistema de saúde do RS. Continuado porque já temos 14 dias com leitos de UTI ocupados desafiando a lógica de percentagens e uma lista de espera para uma chance de vida que, apesar de 400 mortos em 2 dias, continua crescendo. Essa situação e todos os sentimentos que nos tocam alcançarão a Páscoa, ou seja, pelo menos mais algumas semanas, um mês. A imprensa, os hospitais e os "sabe quem tá mal?" mostram a realidade de maneira dura - não há como negar. Agora têm mais jovens internando e morrendo. O cidadão com dois neurônios compreende e passa a se cuidar, usa máscaras, evita contatos desnecessários. Assim como aconteceu em Manaus no ano passado, na Itália e na Espanha, as pessoas fazem contato com o mundo real, sentem medo e aumentam seus cuidados - é um mecanismo cerebral antigo, reptiliano. Afinal, conseguir leitos está difícil, cilindro de oxigênio em casa também. Quem quer arriscar?

Queremos as bandeiras vermelha, laranja, verde. Quem sabe nunca mais ouvir falar em bandeiras ou tabelas com estatísticas desoladoras. Porém, ao mesmo tempo em que se assiste a uma tragédia nos hospitais e, a todo custo, se buscam alternativas como o aumento de leitos, há muito a ser feito para que a bandeira laranja, por exemplo, se torne realidade. É hora de planejar um novo enfrentamento da pandemia – o atual também colapsou. O caminho já foi traçado por outros países: a proatividade do rastreamento de casos – procedimento essencial no enfrentamento de pandemias –, a revisão de todos os protocolos de distanciamento de escolas, empresas e transportes, urgem protocolos de atendimento médico unificados que ajudem a hospitalizar quem pipoca em atendimentos e, por último, maior rapidez nos resultados dos exames RT-PCR realizados para o SUS, ou o uso do teste do antígeno em maior escala.  O que se pode aprender com as semanas mais tristes da história do RS? O SUS salva e só se consegue enfrentar a pandemia com a ciência, com vigilância e sem baixar a guarda; remendos, como a cogestão para prefeitos demagogos, vão na direção contrária.

Não duvidemos de uma coisa: até que todos os adultos gaúchos recebam a vacina, ainda dá tempo da façanha de muitos erros voltarem a serem cometidos. Faremos tudo da mesma forma?

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