Colômbia, entre a soberania e a dependência

É de difícil construção frases que não versem a dialética colombiana. Enquanto Duque entregaria a soberania militar e territorial hipotecando um futuro que nunca chega como aliado estadunidense, Petro fala de paz e integração latino-americana. 

É de difícil construção frases que não versem a dialética colombiana. Enquanto Duque entregaria a soberania militar e territorial hipotecando um futuro que nunca chega como aliado estadunidense, Petro fala de paz e integração latino-americana. 
É de difícil construção frases que não versem a dialética colombiana. Enquanto Duque entregaria a soberania militar e territorial hipotecando um futuro que nunca chega como aliado estadunidense, Petro fala de paz e integração latino-americana.  (Foto: Túlio Ribeiro)
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A Colômbia escolheu forças políticas antagônicas de 'Nuestra America' na eleição, este embate se deve a movimentos ligados a elite estadunidense que decidiram interromper os processos de integração latino-americana do inicio do século XXI, recorrendo ao modelo do neocolonialismo. A verdade que se apresenta é que existe muito em jogo.

O resultado levou os opostos para o segundo turno em 17 de junho. O liberal Iván Duque Marques , aliado do ex-presidente Álvaro Uribe, alcançou 39,11%,enquanto Gustavo Petro Urrego pelo lado socialista registrou 25,09% , ambos vão disputar o executivo . Sergio Fajardo, ex-prefeito Medellin e ex-governador de Antioquia da coligação de centro-esquerda (Polo Democrático Alternativo) obteve 23,77% votos. German Vargas Llera, ex-senador e ex-vice do atual presidente Juan Manuel Santos chegou a 7,25%, enquanto o governista e negociador do acordo de paz Humberto de La Callle, apenas 2,06%.

Duque representa a direita aliada as práticas mais contestáveis como corrupção, clientelismo e ligações com grupos de paramilitares organizadores de esquadrões da morte. Compete a Petro construir uma aliança com os outros candidatos que significam uma mudança, como La Calle e Fajardo e chegando aos 9 milhões de votos , afim de superar os 7,5 milhões da centro-direita.

Petro, ex-prefeito de Bogotá e ex-senador, é o único que construiu um programa integral de reorganização da economia, transição progressiva do carvão e do petróleo para energia limpas, créditos oficiais para camponeses e pequenos empreendedores, educação superior gratuita e saúde preventiva sem mediação privada. Petro critica seu país, que não oferece educação e nem saúde pública para todos:

"Tivemos um país que não foi capaz de mudar em dois séculos, eu quero mudar isso.Quero ser o primeiro a mudar gerando menos desigualdade,mas acesso a educação, uma saúde eficaz para muitos e terras para maioria(...)Eu li livros da teoria marxista, mas utilizei em situações reais e não em separado da sociedade."

Em que pese as dificuldades de vencer uma eleição majoritária, o Estado colombiano não conseguiu impedir neste processo os assassinatos de líderes dos movimentos sociais, bem como de candidatos da esquerda. Formou-se ainda um conjunto de crimes eleitorais como a compra de votos, inconsistência de atas, um soft que limita conferência de dados e por fim restrições aos eleitores. Práticas recorrentes que tem um histórico de ajudar a direita. Cabe aos progressista não apenas ganhar no voto, mas superar a fraude e a violência, para de alguma forma gerar futuro para maioria.

É incontestável a importância deste pleito, no momento que as principais nações como Brasil e Argentina foram golpeadas por projetos neoliberais sem sucesso. O desafio é reafirmar no continente programas que distribuam renda e que tragam desenvolvimento humano efetivo.

Uma vitória de Duque, apontaria um caminho para os que querem um país submetido ao medo. Seriam contemplados grandes projetos das petroleiras internacionais,
confirmaria a entrada como aliado da OTAN, debilitando 150 anos de paz entre nações sul-americanas. Rasgaria acordos de paz instalando uma embaixada em Jerusalém(Al-Quds),assassinando a história e reconhecendo a cidade como capital de Israel, Estado responsável pelo genocídio palestino. Duque fala pelo capital financeiro, um setor que por paradigma busca o controle do petróleo,carvão, água e energia.

Obedecendo os Estados Unidos ao se transformar no primeiro país sul-americano "parceiro global' da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a Colômbia rompe resoluções internacionais como a de proibição de armas nucleares efetivada ainda em 1968 no acordo de Tlateloco no México. Em 2014 foi a vez da Comunidade de Estados da América Latina e Caribe(CELAC), ao declarar que a ' região é uma zona de paz', o que impediria esta tratativa com OTAN. O país ,com 7 bases militares dos EUA instaladas no governo de Álvaro Uribe, já é altamente armada tornando injustificável este precedente. Esta atitude ameaça a estabilidade e segurança de todos países do continente inclusive da nação de Francisco de Paula Santander.

É de difícil construção frases que não versem a dialética colombiana. Enquanto Duque entregaria a soberania militar e territorial hipotecando um futuro que nunca chega como aliado estadunidense, Petro fala de paz e integração latino-americana. Abordar sobre esta eleição pode parecer um mirada somente para o país caribenho, mas na verdade é tratar de um embate recorrente no nosso continente. Petro e Duque repetem Kirchner e Menem; Lula e Fernando Henrique Cardoso, Jacob Arbenz e Miguel Fuentes; Daniel Ortega e Clemente Guido ; Chávez e Capriles dentre outros, mas sempre com olhar estadunidense. Na construção do desenvolvimento do continente de Simón Bolívar, se repete a disputa entre sua população e uma elite que se acha europeia, que em benefício próprio, rotineiramente, visa entregar nossos recursos aos anglo-americanos. O dia de 17 de junho será mais um capítulo desta história.

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