Com Doria é assim: bajula os de cima e agride os de baixo

A mais recente prova de para quem governa, está na desastrosa - para usar palavras de sua ex-secretária de Direitos Humanos - operação na Cracolândia. Sempre defendemos a necessidade de uma ação de inteligência por parte da Polícia Civil para prender os traficantes que agem no Centro. Não só lá, diga-se de passagem

doria cracolândia
doria cracolândia (Foto: Paulo Teixeira)

Desde o começo da sua gestão, em janeiro deste ano, o prefeito Dória vem dando provas de sua postura e jeito de trabalhar. Sempre postando e posando ao lado de empresários, não faltam tapas nas costas e sorrisos para as "parcerias" fechadas, feitas com pouca ou quase nada de transparência. O modo de trabalhar é o mesmo que lhe fez fama à frente do seu grupo, o LIDE. Conversas com os mandatários do poder em troca de diálogos privados na sequência. Agora, a justificativa dada é sempre a mesma: "Querem contribuir para São Paulo acelerar". Como se a cidade já não estivesse sempre correndo contra o tempo.

Ocorre que esta mesma boa vontade não é vista quando o assunto são as pessoas mais vulneráveis ou a população que vive fora do eixo Pinheiros - Centro. Obras na periferia foram paralisadas com a desculpa de uma suposta falta de dinheiro deixada pela gestão Haddad.

Ora, foram deixados mais de R$ 5 bilhões em caixa e todo o planejamento orçamentário para este ano foi apresentado e aprovado por Dória e sua equipe durante a transição republicana feita. O que falta mesmo é deixar o palanque e assumir que governar é fazer escolhas. Dória fez as suas. E não foi em benefício dos trabalhadores e da periferia.

Aumento da integração de ônibus e metrô quando a promessa foi manter o preço, corte no programa de leite para crianças, redução drástica do orçamento da Cultura que garantia atividades culturais em toda cidade, corte de mais de R$ 1 bilhão no orçamento da Saúde, falta de materiais nas escolas municipais e esvaziamento de políticas públicas importantes, como a Virada Cultural e ações em defesa das mulheres.

A mais recente prova de para quem governa, está na desastrosa - para usar palavras de sua ex-secretária de Direitos Humanos - operação na Cracolândia. Sempre defendemos a necessidade de uma ação de inteligência por parte da Polícia Civil para prender os traficantes que agem no Centro. Não só lá, diga-se de passagem. Isso teve pouco ou quase nenhum eco dentro do governo do Estado.

Por outro lado, mais fácil e visivelmente mais espetaculoso, foi colocar homens da tropa de choque e maquinário da Prefeitura para intimidar e afastar as pessoas que viviam na região, muitas fazendo uso abusivo de drogas.

O que elas necessitam, e contavam por parte da administração municipal até o ano passado, era de tratamento em saúde e apoio assistencial para resgatar sua vida e dignidade. Era este o eixo central do programa De Braços Abertos, elogiado por dezenas de instituições nacionais e internacionais. Mas, mais uma vez, optou-se pela ação de marketing, pela defesa de interesses imobiliários, em detrimento às pessoas e ao espírito de uma cidade acolhedora e mais justa.

Um bom prefeito não pode ser medido pelos sorrisos, uniformes vestidos ou curtidas no Facebook. Mas sim pela forma como ele trata as pessoas, em especial aquelas que nada podem lhe oferecer em troca.

Em seu brasão, São Paulo traz a expressão em latim cuja tradução é "Não sou conduzido, conduzo". Falta ao prefeito, gestor político desta cidade, a capacidade de compreender que a condução que se espera da parte dele deve ser em direção ao interesse da coletividade e não no de alguns poucos do andar de cima.

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