Com o voto popular não se brinca

O PT tem de ter cuidado absoluto para identificar quais os interesses de seus candidatos neste ano eleitoral tão conturbado. É preciso identificar as candidaturas e escaneá-las à luz do comprometimento com a democracia. É preciso saber quais fatos levaram aquele nome para a legenda

urna eleições
urna eleições (Foto: Cleusa Slaviero)

Estamos com enormes responsabilidades neste momento histórico. Uma delas - e das mais importantes - é a composição do novo Congresso Nacional. A pesquisa Ibope permitiu antecipar que um dos mais expressivos, amados e competentes petistas está a caminho do Senado, Eduardo Suplicy. É com esse caráter que poderemos iniciar a nova fase na política brasileira em 2019.

Conheço excelentes quadros do Partido dos Trabalhadores em todos os estados do Brasil que são pré-candidatos a deputado federal. No entanto, há nomes que ensejam prudência e atenção.

Uma filiação recente, celebrada timidamente por algumas mídias digitais progressistas me chamou a atenção. Não combina com o clima pelo qual passa o partido em sua luta diária para garantir a liberdade de seu líder máximo.

Mas é importante fazer o alerta de que o PT precisa ser prudente em aceitar qualquer candidatura nesse momento histórico. O momento é favorável ao partido e há a necessidade de candidaturas que apresentem compromisso programático.

Para se abraçar um partido e suas causas é preciso ter do que se orgulhar e ter embasamento sólido com um programa de governo. Digo aqui de antemão que escreverei para o partido dizendo que outra Marta ou mais um Delcídio são situações difíceis de suportar para qualquer militante.

O PT não precisa e não merece ter em seu quadro de parlamentares que não estão comprometidos com a construção de um Brasil livre, justo e soberano, com os direitos do povo e dos trabalhadores, com a justiça social, a política feita com coragem. O PT deve agregar pessoas que tenham ideais progressistas e compromisso com a consolidação permanente do maior partido político brasileiro.

O PT é o partido que sobreviveu e está saindo mais forte do que nunca de um ataque brutal do capital nacional e internacional, dos interesses mais desprezíveis dos usurpadores da união. É momento de tornar os percalços em crescimento e maturidade. De fazer da vivência de hoje, o esteio para um futuro melhor.

O PT tem de ter cuidado absoluto para identificar quais os interesses de seus candidatos neste ano eleitoral tão conturbado. É preciso identificar as candidaturas e escaneá-las à luz do comprometimento com a democracia. É preciso saber quais fatos levaram aquele nome para a legenda.

Que fique claro que dificuldades que um pré-candidato tenha passado não são problemas. A forma como enfrentaram e administraram as dificuldades, resolvidas ou não, é que apontará a natureza da candidatura. Isso é básico e simples de realizar.

Tudo o que o PT não precisa é de aventureiros fazendo da política trampolim para ocupar um espaço. Tudo que combina com o PT são pessoas se lançando na política por estarem transbordando de "ideias", capacidade e vontade de dar muito de si na reconstrução da democracia e recuperação do Brasil. O saldo positivo creditará, assim, ao legado do partido mais um Brasileiro com B maiúsculo.

É importante que quando um pré-candidato ou candidato definido de seu estado tiver alguma suspeição de ordem política, judicial ou histórica, a própria militância escreva ao partido denunciando e questionando o porquê daquela candidatura.

É extremamente importante estar engajado com o legado de seu partido de origem e de coração e zelar pela manutenção dessa identidade. Agremiações partidárias e candidatos políticos lidam com o voto popular, um dos maiores patrimônios da democracia, portanto, o assunto é muito sério.

Esse assunto representa a natureza da democracia. Ela é uma relíquia a ser preservada, ela representa o povo, as vidas, as emoções, as necessidades, as urgências. Não é possível mais admitir na política quem não esteja estreitamente ligado com os interesses e os direitos do povo.

Devemos colaborar fortemente e decididamente na construção do hoje e do amanhã do PT. A ternura está conosco, ela é parte fundamental que permeia a história do partido, de suas principais lideranças e de toda a nossa luta. Mas é importante dizer: seremos como rochas no quanto nos doamos e no quanto cobraremos das lideranças do partido.

A eleição de 2018 vai se impondo como um grande desenlace para a nossa alquebrada democracia. Ela vai marcar o revigoramento do Brasil e, certamente, vai celebrar o impressionante fortalecimento do maior partido do país, o Partido dos Trabalhadores.

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