Com oposição débil, Datafolha dá vitória a Dilma já no primeiro turno

Considerados todos os jogos de quebra-cabeça da oposição, com estes candidatos aí, Dilma, para desespero de seus críticos figadais, vence. Sem precisar sair de Brasília

Uma oposição perdida e com críticas requentadas, sem um projeto claro de enfrentamento e com candidatos em picuinhas de comadres, faz com que Dilma não precise beijar crianças, nem comer sanduíches de mortadela duvidosa em botequins fedorentos de rodoviárias para se reeleger. O Datafolha lhe assegura uma vitória meio sem graça já no primeiro turno, com 42%. Fiéis do PSDB não sabem o que fazer para reverter a tragédia anunciada. Invenção de factoides, paradoxalmente, não tem funcionado bem em épocas de internet.

Aécio Neves, morno e sem uma potência verbal cínica e desafiadora de um Brizola ou de um Darcy Ribeiro, só sabe reclamar. Parece uma solteirona pós-balzaquiana. José Serra contribuindo com sua conhecida chatice de plantão para atrapalhar alguma coesão oposicionista, tenta, como "muy amigo", desacreditar Aécio, lançando futricas próprias de fofoqueiro magoado. Marina Silva se esforça para trair Eduardo Campos e lhe tirar o lugar de candidato a presidente, impondo autoritariamente nomes e rejeitando outros de escolha histórica da legenda que conseguiram para ela, de última hora, para tentar voltar ao poder de algum jeito.

Considerados todos os jogos de quebra-cabeça da oposição, com estes candidatos aí, Dilma, para desespero de seus críticos figadais, vence. Sem precisar sair de Brasília. Nunca se viu uma oposição tão deteriorada como a presente. Ou o PSDB contrata alguém inteligente ou o desânimo de FHC se confirmará.

O jornalista e cientista político André Singer deixa a entender, por exemplo, que o acordo Rede, de Marina, com PSB de Campos é uma mentira pragmática de última hora que não guarda qualquer afinidade real com nada. Continuar a dizer que esses arranjos são "naturais da política" é esbofetear o povo, achando que ele é débil e obediente. Em uma palavra, otário.

Ainda não avisaram a José Serra que ele já foi, há algum tempo, carimbado pela cúpula do PSDB como o candidato "mala", ou um tipo de neo-jose serraMaluf, aquele que compete e compete, e apenas compete. É por isso que Aécio nem se preocupa em responder às implicâncias-traque de Serra.

Correndo por fora, há um PDT que pode surpreender se lançar mesmo o bom nome do professor Cristovam Buarque. Político-vinho de outra safra. Talvez o único aí, nesse mar de mesmice, que fizesse frente, em inteligência e sagacidade pessoal, à máquina de Dilma e do PT. Daria ao povo não os muxoxos de Aécio, o fundamentalismo disfarçado de Marina, ou a freirice bondosa de Eduardo Campos, mas uma tonalidade pesada e crítica ao desafio de uma oposição verdadeiramente densa. Aí ter-se-ia uma briga boa de ideias. Cristovam é respeitado tanto na direita como na esquerda. Seu "defeito" é ser um intelectual, requisito que falta ao PSDB, mas que infelizmente lhe afasta um pouco de um eleitorado consumista e ávido.

O PSDB tem tentado dar carniça à avidez desse eleitorado frenético, mas não consegue sair para fora de suas próprias hienas. As outras têm desconfiado das armadilhas propostas pelo partido. Preferem uma Dilma que não errou gravemente, não se envolveu em escândalos de roubalheira e formação de quadrilha, o que, num país historicamente com governos viciados em corrupção é uma grande coisa, ainda que pouco.

O Datafolha não é um adivinho. Estatísticas podem não se confirmar. Mas o PSDB é vaidoso demais para mudar, afinal de contas os ricos acham que são sábios e seres superiores. Já Eduardo Campos poderá perceber a canoa furada que se meteu, ou que foi metido, quando Marina expuser os outros caninos para fora e criar sua quizumba. Enquanto isso Dilma ri e pega sol à beira da piscina com maiô duas peças, afofada por escudeiros.

Do blog Observatório Geral

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