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Julimar Roberto

Comerciário e presidente da Contracs-CUT

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Começar de novo e contar comigo

A defesa da reeleição de Lula como necessidade histórica diante da desigualdade e da ofensiva contra direitos sociais

Lula ao lado de trabalhadores (Foto: Ricardo Stuckert)

Começar de novo e contar comigo.

Não é poesia. É compromisso. É posição política. Não fala de espera, fala de ação. Não promete salvação individual, convoca responsabilidade coletiva. Foi essa a resposta que a classe trabalhadora sempre deu quando tentaram empurrar o Brasil para o abismo. Ninguém sustenta um país sozinho. Nenhuma transformação acontece sem povo organizado. E a história já mostrou, mais de uma vez, de que lado nós escolhemos estar.

O Brasil voltou a respirar depois de anos marcados pela destruição, pelo ódio e pelo desprezo à vida. Políticas públicas foram retomadas, a fome voltou a ser combatida, o emprego voltou a crescer e o país recuperou respeito no cenário internacional. Nada disso foi favor. Nada disso caiu do céu. Foi resultado de luta, de voto consciente e de mobilização popular. Foi decisão política.

É nesse contexto que se fala em Lula rumo ao tetra. Não como slogan eleitoral, mas como síntese de um projeto histórico. Um novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva representa mais um ciclo de um projeto popular que sempre precisou começar de novo. Governar, no Brasil, nunca foi apenas administrar. Foi, quase sempre, reconstruir o que a elite econômica ajudou a destruir. Refazer o país a partir dos escombros se tornou uma tarefa recorrente.

A reeleição de Lula não é luxo. É necessidade histórica. A travessia ainda não terminou. A desigualdade segue brutal. Os direitos do trabalho continuam sob ataque. O Estado permanece pressionado por interesses que querem menos proteção social, menos serviços públicos e mais privilégios para poucos. Dar continuidade a esse projeto é garantir que a vida, o trabalho e a dignidade sigam no centro das decisões políticas.

Mas é preciso dizer com todas as letras que não existe governo popular forte sem classe trabalhadora organizada. Um Congresso conservador, refém do mercado e inimigo dos direitos sociais, atua diariamente para travar políticas públicas, desmontar conquistas e sabotar qualquer agenda de justiça social. Não basta eleger o presidente certo. É preciso mudar a correlação de forças.

O movimento sindical tem papel central nessa disputa. Somos nós que organizamos a base, politizamos o debate e defendemos direitos no local de trabalho e nas ruas. Somos nós que transformamos indignação em luta coletiva. O tetra não é tarefa individual. É tarefa da militância sindical, da organização popular e da consciência de classe.

Começar de novo, agora, é assumir responsabilidade. Significa dizer que não aceitaremos retrocessos. Significa disputar o Congresso, reeleger o presidente operário, fortalecer os sindicatos, ampliar a participação política da classe trabalhadora e defender cada direito conquistado com luta. Esperança, sozinha, não basta. Esperança precisa caminhar junto com compromisso.

Quando o país precisou, a classe trabalhadora respondeu. Agora, mais uma vez, a pergunta está colocada. A resposta não pode ser tímida nem individual. Ela exige organização, coragem e protagonismo coletivo. A história não anda sozinha. Ela avança quando alguém empurra e, quando ninguém segura, às vezes capota. E, novamente, o Brasil pergunta se pode contar conosco. Cabe a cada um e a cada uma decidir como irá responder.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.