Como a Venezuela tem combatido o coronavírus

Para facilitar o isolamento social, o governo Maduro garantiu o pagamento dos salários dos funcionários públicos e dos trabalhadores de pequenas e médias empresas

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O primeiro caso de coronavírus na Venezuela foi registrado no dia 13 de março. Atualmente este país apresenta a menor taxa de contaminação por covid-19 da América Latina e há 15 dias não registra nenhuma morte por esta doença. O número de casos confirmados é de 361, ocorreram 10 mortes e 158 pessoas estão recuperadas. O país é considerado exemplo pela ONU no combate à pandemia. Os casos de coronavirus são igualmente baixos nos quatro Estados que são governados pela oposição a Maduro. São 4 casos e nenhuma morte em Anzoategui, um caso e nenhuma morte em Mérida, 112 casos e nenhuma morte em Nova Esparta e 19 casos e uma morte em Tachira. A quarentena foi decretada no dia 14 de março. A Venezuela foi o primeiro país da América a adotar esta medida juntamente com o fechamento das fronteiras. Por volta de 67% da população venezuelana está respeitando o confinamento. Para facilitar o isolamento social, o governo Maduro garantiu o pagamento dos salários dos funcionários públicos e dos trabalhadores de pequenas e médias empresas.

No dia 12 de março, um dia antes da confirmação do primeiro caso, a Venezuela suspendeu todos os vôos vindos da Europa e Colômbia. No dia 17 de março, o governo decretou a restrição dos vôos nacionais e internacionais, permitindo apenas o transporte de cargas e correio. No Brasil os vôos nacionais estão liberados e a restrição à entrada de estrangeiros via aeroporto só foi decretada no dia 30 de março, mais de um mês após o primeiro caso confirmado no dia 26 de fevereiro. Cabe ressaltar que, em função da crise política, a Venezuela já recebia um número reduzido de vôos internacionais. A fronteira da Venezuela com o Brasil já estava fechada desde dia 21 de fevereiro e este fechamento foi reforçado no dia 17 de março. A fronteira da Venezuela com a Colômbia foi fechada no dia 14 de março. O trânsito de veículos está restrito aos profissionais da saúde, militares e para o transporte de alimentos. Apenas os profissionais destas áreas estão autorizados a abastecer. Desde o dia 17 de março, o metrô só pode ser utilizado por funcionários públicos, profissionais da saúde, do setor de alimentos e imprensa. O transporte interestadual está igualmente restrito. Desde o início da quarentena, o uso de máscaras é obrigatório. O governo incentiva a produção e uso de máscaras caseiras pela população. EPI que foram doados pela China, Rússia e Organização Pan-Americana da Saúde estão sendo destinadas para os profissionais desta área. Em comparação, no Brasil as máscaras só foram recomendadas para a população em geral no dia 7 de abril. Além do fechamento das fronteiras, suspensão de vôos e restrição ao transporte público e privado, o comércio do país está igualmente paralisado. Supermercados e farmácias funcionam em tempo reduzido e restaurantes só podem realizar entregas. O governo venezuelano distribui igualmente alimentos gratuitamente para que alguns cidadãos não precisem sair de casa.

A Venezuela está utilizando o teste PCR (do inglês reverse-transcriptase polymerase chain reaction), o mais confiável, assim como os testes rápidos. O país possui ao menos dois laboratórios para realização de testes PCR: O Instituto Nacional de Higiene, em Caracas, com a capacidade de processar 93 testes por dia e uma unidade móvel deste mesmo instituto em Tachira, com capacidade para processar 300 testes diários. As amostras recolhidas nos demais Estados da Venezuela são processadas no laboratório de Caracas. Até o dia 24 de Abril, quarenta dias após o primeiro caso de covid-19 na Venezuela, este país já havia realizado 5.969 testes do tipo PCR. Nos auxílios humanitários enviados por Rússia e China, a Venezuela recebeu 50.000 kits PCR dos chineses e 20.000 da Rússia.

Além da capacidade de processar 393 testes diários de PCR, a Venezuela está aplicando testes rápidos. Estes testes são menos confiáveis porque detectam o anticorpo e não o vírus, podendo assim gerar falsos negativos em pessoas infectadas a menos de sete dias e que ainda não desenvolveram anticorpos contra o coronavírus. Além disso, com este teste não é possível saber se o vírus está ativo ou não no corpo. É possível saber apenas se a pessoa teve ou não contato com o vírus. Apesar disso, os testes rápidos são úteis para o diagnóstico hospitalar, uma vez que a pessoa internada apresenta sintomas, diagnósticos clínicos e provavelmente uma alta taxa de anticorpos contra o coronavírus. Quando somada a quantidade de testes PCR e testes rápidos realizados pela Venezuela, este país é considerado o que mais realiza teste na América Latina. Até 2 de maio, 477.960 pessoas já haviam sido testadas. Atualmente o governo afirma fazer 25.000 testes rápidos por dia. A Venezuela é também o país da América Latina que realizou a maior quantidade de testes rápidos por milhão de habitantes. Em 11 de Abril esta taxa era de 6.045 na Venezuela, 4.020 no Chile, 2.216 no Peru, 1.284 no Equador e 783 na Colômbia e apenas 305 no Brasil, de acordo com os dados apresentados pelo governo venezuelano. No dia 2 de maio, o governo afirmou que esta taxa é de 16.098. A Venezuela é o único país da lista no qual os testes são realizados pela rede pública de forma gratuita. A Venezuela recebeu da China 500 mil testes rápidos. A Organização Pan-Americana da Saúde tem acesso aos testes realizados neste país, aumentando assim a credibilidade dos números oficiais. O congresso nacional, liderado pelo autoproclamado presidente, Juan Guaidó, está igualmente realizando testes e ligando para a casa das pessoas para fazer uma triagem. Até o dia 29/04, 474 pessoas precisaram de atenção especial, porém nenhuma delas foi diagnosticada com covid-19.

A Venezuela conta igualmente com uma equipe de 1.500 médicos que realizam visitas de casa em casa em busca de pacientes com sintomas de covid-19, assim como para auxiliar em outras doenças. Esta iniciativa do governo venezuelano é em parceria com a OMS. No dia 14 de Abril quase a metade da população venezuelana já havia recebido uma visita, por volta de doze milhões de pessoas. Para fazer a triagem, os médicos utilizam uma plataforma digital que reúne uma base de dados do governo junto a uma pesquisa realizada por um aplicativo no qual os venezuelanos respondem um questionário feito pela OMS, relacionado aos sintomas da covid-19. 16 milhões de pessoas responderam ao questionário sobre seu estado de saúde. O total de médicos na Venezuela é de 23.000, contando com os médicos cubanos que prestam auxílio a este país. De acordo com o governo, o país possui 46 hospitais de campanha e 4.200 leitos para atender a população infectada pelo novo coronavirus.

A Venezuela conta ainda com medicamentos que estão sendo utilizados de forma experimental. Entre estes medicamentos estão o Interferon alfa 2B, desenvolvido por Cuba, assim como a cloroquina, bastante difundida no Brasil. De acordo com Juan Guaidó a Venezuela possui 384 respiradores mecânicos, porém, o presidente da Federação Médica Venezuelana (FMV) afirma que são apenas 80 ou 90. No dia 3 de maio o governo venezuelano registrou que 73 pacientes apresentavam insuficiência respiratória leve, 3 com insuficiência respiratória moderada e apenas um grave, recebendo cuidados intensivos. No pior dos cenários, proposto pelo presidente da FMV, o sistema de saúde da Venezuela não se encontra em colapso. 

https://www.google.com/…/www.aporrea.org/amp/v…/n354768.html

https://www.eluniversal.com/…/villalba-67-de-los-venezolano…

https://www.eluniversal.com/…/iniciaron-de-pruebas-pcr-para…

http://vicepresidencia.gob.ve/venezuela-ha-realizado-120-m…/

https://www.google.com/…/04/29/interna_mundo,849440/amp.html

http://vicepresidencia.gob.ve/venezuela-registra-mas-de-14…/

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