Como deve ser a relação entre Lula e o Mercado?

A relação entre Lula e o Mercado deve ser programática. É p

www.brasil247.com - Luiz Inácio Lula da Silva, Bolsa de Valores e o dólar
Luiz Inácio Lula da Silva, Bolsa de Valores e o dólar (Foto: Lula Marques | Reuters)


Nos próximos dias, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva deve anunciar os ministros que irão iniciar o novo governo. Dentre eles, sem sombra de dúvidas, o mais esperado é o da Economia (ou da Fazenda). Especulações existem aos montes sobre qual será o escolhido por Lula, mas muita gente - e eu inclusive - está torcendo pela escolha do ex-Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. 

 

Haddad, pessoa de absoluta confiança de Lula, do qual já foi ministro, fez uma gestão - em especial financeira - exitosa na maior cidade do país. Mesmo não sendo economista, o que não é condição para estar à frente da economia, tem mestrado na área e circula bem e entende do assunto, e também atua como professor na USP e na INSPER, este último terreno do liberalismo à brasileira, poderia muito bem conduzir um dos pilares da fazenda brasileira: o político. Uma vez que a política monetária já conta com um presidente do Banco Central mais alinhado com a banca do Mercado. 

 

Mercado este que, ao ouvir o nome de Haddad, e mesmo com o compromisso de manutenção da responsabilidade fiscal, reagiu negativamente. Mas não reagiu negativamente frente à farra irresponsável do atual governo nos últimos meses, quando a gestão abriu mão de qualquer critério técnico para atuar com absoluto fim eleitoral, colocando em risco bancos públicos, as contas orçamentárias e as próprias estabilidade e credibilidade internacional do país. Ou mesmo quando apresentou uma proposta orçamentária que apaga o investimento e deixa sem dinheiro programas e serviços básicos para o funcionamento do país. 

 

Lula, quando foi presidente, governou com absoluta responsabilidade fiscal e social e não há motivos para esses movimentos caóticos do setor financeiro, a não ser por uma ânsia de surfar em ondas especulativas. Não podemos ficar focados somente em números da balança comercial ou das bolsas sem levarmos em conta a qualidade das políticas por trás dos indicadores e quando mais de 30 milhões de brasileiros não têm o que comer. Na prática, o novo governo deverá agir com respeito às instituições, ampliação dos investimentos públicos em infraestrutura e educação, responsabilidade ambiental e retomada de programas sociais e do combate à fome. 

 

Assim, a relação entre Lula e o Mercado deve ser programática. É preciso que a banca, se não entende, ao menos aceite que o resultado das eleições aponta para uma plataforma de governo que deve ser respeitada e colocada em prática, e que, em uma democracia, quem tem voto são as pessoas e não um ente abstrato e simbólico como o Mercado. 

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