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Alex Solnik

Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"

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Como tudo que parece sólido, golpe se desmancha

"Pode parecer paradoxal, mas quanto mais se aproxima o dia D do impeachment (amanhã, é o que se diz), depois de dez meses de insistência do PSDB, mais a tese se desmancha no ar, como tudo que é (ou parecia ser) sólido", escreve Alex Solnik, lembrando que "não há mais movimento 'nas ruas', panelas pararam de bater e à medida que escorrem os dias, mais claro fica que não há motivo"; para o jornalista, mesmo que houvesse, também importa quem encaminha o impeachment; "Numa democracia ninguém pode levar a sério um processo de impeachment encaminhado por um presidente da Câmara que, ao contrário de Ibsen Pinheiro (foto ao centro), em 1992, não tem respeitabilidade nem apreço nem dos seus pares nem da nação e só não caiu ainda porque a política tem razões que a própria razão desconhece"

"Pode parecer paradoxal, mas quanto mais se aproxima o dia D do impeachment (amanhã, é o que se diz), depois de dez meses de insistência do PSDB, mais a tese se desmancha no ar, como tudo que é (ou parecia ser) sólido", escreve Alex Solnik, lembrando que "não há mais movimento 'nas ruas', panelas pararam de bater e à medida que escorrem os dias, mais claro fica que não há motivo"; para o jornalista, mesmo que houvesse, também importa quem encaminha o impeachment; "Numa democracia ninguém pode levar a sério um processo de impeachment encaminhado por um presidente da Câmara que, ao contrário de Ibsen Pinheiro (foto ao centro), em 1992, não tem respeitabilidade nem apreço nem dos seus pares nem da nação e só não caiu ainda porque a política tem razões que a própria razão desconhece" (Foto: Alex Solnik)
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Pode parecer paradoxal, mas quanto mais se aproxima o dia D do impeachment (amanhã, é o que se diz), depois de dez meses de insistência do PSDB, mais a tese do impeachment se desmancha no ar, como tudo que é (ou parecia ser) sólido.

Não há mais movimento "nas ruas". As panelas pararam de bater. À medida que escorrem os dias, mais claro fica que não há motivo. Outro dia o insuspeito ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, que nunca economizou críticas ácidas ao PT, avisou que impeachment é para casos em que o presidente comete o crime, ele diretamente, não através de terceiros, e Dilma não cometeu crime algum, além de glorificar a mandioca e fazer blague com estocagem de vento que foi levada a sério por opositores empedernidos.

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Não há crime, não há impeachment – essa ideia vai se cristalizando nas cabeças dos brasileiros de vários setores e pensamentos. Há dois dias foi Delfim Netto. Chamou, com o sarcasmo habitual, as tratativas do impeachment de "golpezinho". E, cá entre nós, de golpe ele entende.

Ausente o motivo principal – não há crime –, a tese cai por terra. Mas ainda que houvesse, ainda que a presidente tivesse cometido malfeito que não cometeu, também importa quem encaminha o impeachment. Em 1992, quem deu o pontapé inicial do único processo de impeachment havido no Brasil foi um presidente da Câmara dos Deputados acima de qualquer suspeita e respeitado nacionalmente, chamado Ibsen Pinheiro.

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A seguir também foi cassado, mas essa é uma outra história. O que eu quero dizer é que numa democracia ninguém pode levar a sério um processo de impeachment encaminhado por um presidente da Câmara que, ao contrário do Ibsen de 1992, não tem respeitabilidade nem apreço nem dos seus pares nem da nação e só não caiu ainda porque a política tem razões que a própria razão desconhece.

A ele são imputados crimes os mais variados – e como alguém com esse retrospecto pode abrir processo contra alguém que não cometeu crime algum? O impeachment só serve para quem precisa de impeachment. E não é o Brasil.

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