Condenar o Lula é condenar o povo, a democracia, o Brasil

"A Era Lula foi uma período histórico sumamente virtuoso, tanto para o povo brasileiro, como para a democracia e para o próprio Brasil. O golpe encerrou esse período, contra a vontade expressa do povo brasileiro", analisa o colunista do 247, Emir Sader; "Lula reaparece assim como a esperança de restabelecimento da democracia, de resgate dos direitos do povo avassalados pelo governo golpista e de recuperação da imagem do Brasil, sumamente degradada por um governo que envergonha o país no mundo"; "Condenar Lula é assim condenar o povo, é condenar a democracia, é condenar o Brasil. Os que se conjugam nesse projeto representa a ínfima minoria, particularmente o capital financeiro, que quer condenar o pais a não retomar mais o crescimento econômico"

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lula (Foto: Emir Sader)

A Era Lula foi uma período histórico sumamente virtuoso, tanto para o povo brasileiro, como para a democracia e para o próprio Brasil. O golpe encerrou esse período, contra a vontade expressa do povo brasileiro, que havia decidido dar continuidade a ele, pela quarta vez, nas eleições de 2014. A vontade popular foi violada, assim como os procedimentos democráticos, para que se instalasse um governo que põem em prática, de maneira brutal, o programa derrotado quatro vezes nas urnas pelo povo brasileiro.

Lula reaparece assim como a esperança de restabelecimento da democracia, de resgate dos direitos do povo avassalados pelo governo golpista e de recuperação da imagem do Brasil, sumamente degradada por um governo que envergonha o país no mundo.

Há três anos o golpe, através do seu braço jurídico e policial, tenta tirar a possibilidade do povo decidir sobre o retorno do Lula à presidência do país, alternativa amplamente favorita nas pesquisas e confirmada na primeira Caravana do Lula.

Sem provas, baseado em “convicções” e em “indícios”, retirados de delações premiadas sem nenhuma confirmação concreta, se tenta condenar o Lula. Condená-lo, nas condições atuais, é condenar o povo, submetendo-o à sanha rancorosa dos banqueiros privados, que tentam tirar os direitos básicos que o povo conquistou com políticas sociais e com a defesa do poder aquisitivo do salário e a criação de empregos com carteira assinada. É contra isso que se insurge o golpismo e seus asseclas.

Se faltasse confirmação da articulação entre a judiciaizacção da política e o programa econômico neoliberal, antipopular, antidemocrático e antinacional, um dos seus agentes, o juiz Sergio Moro, participou do participou do lançamento de livro que prega a privatização e a liquidação do patrimônio público, interesse maior das grandes empresas privadas e dos conglomerados econômicos norteamericanos. Como complemento dos estreitos vínculos partidários e de convescote entre esse juiz e os tucanos.

É contra o patrimônio público, com o acelerado e desvairado processo de privatizações do governo golpista, que se atua contra Lula, que representou o fortalecimento e a recuperação do prestígio do Estado brasileiro e das suas estatais, com a Petrobras em primeiro lugar.

É contra a política externa soberana, que caracterizou os governos brasileiros de 2003 a 2014, que o golpe liquida toda a imagem construída ao longo desse período.

Lula representa tudo isso e por isso se quer tirá-lo da disputa eleitoral. Por que razão, se não há nenhuma prova concreta para condená-lo? Para fazer prevalecer os interesses dos que querem intensificar a desigualdade social, a superexploração dos trabalhadoras, a imposição de um Estado mínimo e de uma subordinação total aos interesses dos Estados Unidos no plano internacional.

Esse o sentido da defesa do direito do Lula ser candidato, submeter ao povo seu projeto de país, deixar que seja a cidadania, de forma livre e democrática, quem decida o destino do Brasil.

Condenar o Lula é assim condenar o povo, é condenar a democracia, é condenar o Brasil. Os que se conjugam nesse projeto representa a ínfima minoria, particularmente o capital financeiro, que quer condenar o pais a não retomar mais o crescimento econômico. Representa o interesse dos que querem aumentar mais seus lucros às custas do sofrimento dos trabalhadores. Os que querem que se volte a governar para 1/3 da população, em detrimento da grande maioria. Os que querem que o Brasil deixe de ter qualquer protagonismo internacional, voltando a seu perfil baixo e intranscendente, como tinha nos anos 1990.

A defesa do Lula se confunde hoje assim com a defesa do povo brasileiro, com a defesa da democracia brasileira, com a defesa do próprio Brasil.

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