Conexões e vida

A sociedade precisa enxergar as novas formas de comunicação com o outro como aliada e não como vilã, sem esquecer que algumas delas nunca poderão ser substituídas por tecnologia

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Os anos passam e as possibilidades de comunicação com o outro tomam novas formas e cores. Lembro-me das histórias de meu pai, contando que os hábitos de décadas atrás giravam em torno dos diálogos de final de tarde, as crianças faziam uma roda para ouvir os 'causos' dos adultos e da vida pacata e tranquila.

Mesmo com a presença do rádio trazendo a boa e atrativa informação, as pessoas conseguiam manter-se unidas e próximas. Os anos passaram-se e o televisor chegou à vida dos cidadãos com uma proposta de conectá-los agora visualmente às diversas programações estabelecidas, começando um processo de divisão entre os familiares, tendo em vista que diminuíram os momentos de troca, o televisor tornou-se um membro da família e de maior importância.

Perguntei-me, como um profissional que trabalha com desenvolvimento de pessoas, se, de fato, essa era a intenção inicial das tecnologias ao longo dos anos, afastar as pessoas. E a resposta é não, a intenção é melhorar a vida e a convivência entre nós, são as distorções que afastam as pessoas, levam-nas ao isolamento em seus mundos virtuais ou à utilização das tecnologias para lesar o próximo, as distorções são prejudiciais; as tecnologias, não.

As conexões atuais são ricas em possibilidades, podemos incluir como exemplo disso a EaD, Educação a Distância, que tem levado a informação e a formação a milhares de pessoas nos lugares de difícil acesso, e as redes sociais, que aproximam amigos afastados no decorrer dos anos pelas condições diversas da vida.

Apesar de todos esses caminhos positivos, ainda na Educação Básica não se conseguiu encontrar o canal efetivo de ações para favorecer o uso de tecnologias como ferramentas de conexão entre os jovens, é um processo que precisa de investimento em meio a um público desinteressado pelas informações tradicionais de uma escola também tradicional.

A sociedade precisa enxergar as novas formas de comunicação com o outro como aliada e não como vilã, sem esquecer que algumas delas nunca poderão ser substituídas por tecnologia, também somos parte de um todo, estamos interligados a uma ampla teia de seres humanos, intimamente conectados por laços biológicos, sociais, econômicos, culturais, afetivos que nos definem.

Somos complementares, apesar de únicos, precisamos, assim, de tudo o que nos faz bem, de tudo o que nos mantém conectados à vida.

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