Congelam nosso futuro e incendeiam nosso presente

O incêndio que destruiu o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista é a síntese do descaso e do desprezo pela nossa história e pelos registros que ajudam na construção de nossa identidade

Congelam nosso futuro e incendeiam nosso presente
Congelam nosso futuro e incendeiam nosso presente

O Brasil vive tempos fora dos eixos. No último ato da tragédia do governo Temer, o cinismo e o descaso tomam feições de uma melancolia que empurra o país para uma grande depressão. O congelamento dos gastos, aprovado pelo Governo Federal, impede os investimentos em setores estratégicos, como educação, saúde e cultura.

O incêndio que destruiu o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista é, nesse sentido, a síntese do descaso e do desprezo pela nossa história e pelos registros que ajudam na construção de nossa identidade. Trata-se de mais um símbolo da crise estrutural de nossa sociedade, de caráter político e econômico, mas com fortes consequências sociais, culturais e ambientais.

A falta de investimentos do Governo empurra novamente o Brasil para o mapa da fome, sucateia nossos equipamentos culturais e devasta nossas florestas e mananciais. Nosso país sangra, nosso povo sofre e nossa cultura e ciência se deterioram, enquanto Temer e sua corja espoliam nossos recursos no apagar das luzes.

Ler nos jornais de todo o mundo que Luzia (o crânio mais antigo já encontrado nas Américas) foi absolutamente destruído pelas chamas do incêndio nos faz ver aí também uma metáfora desses tempos sombrios. Luzia é o símbolo de nossa origem, a mulher originária, a mãe do Brasil. O descaso e a incompetência do Estado brasileiro matam milhares de Luzias todos os dias.

Nosso presente está sendo, metafórica e literalmente, incendiado. Nosso futuro está congelado pela PEC dos gastos públicos. Nossa cultura vira, literalmente, cinzas. Os incêndios no Instituto Butantã, no Museu da Língua Portuguesa, no Museu do Ipiranga, na Escola de Artes e Ofícios e, agora, no Museu Nacional mostram uma face pouco louvável da situação atual: o desmonte de nossas instituições arruína também nosso patrimônio.

Embora os setores conservadores tentem dizer que o incêndio do Museu Nacional nada tenha a ver com o congelamento dos gastos púbicos, não podemos deixar de notar que o orçamento executado por essa instituição federal em 2018 tenha sido de vergonhosos 54 mil reais (!!). Nesse sentido, exigimos que a Cultura deixe de ser tratada pelo poder público como penduricalho, como matéria de segunda ordem e sem importância. Valorizar o nosso patrimônio é também um modo de preservar os símbolos da construção nacional. Merecemos mais respeito e investimentos. O Brasil precisa ser feliz de novo!

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