Conselho Mundial da Paz faz 70 anos, em defesa da humanidade

Os povos erguem a voz que ressoa em todo o mundo, a voz da luta pela libertação e a paz, que, amplificada pela unidade entre todas as forças que se opõem à guerra, em solidariedade e fraternidade, será capaz de deter a marcha catastrófica do imperialismo para derrotá-lo e finalmente construir um mundo de amizade e respeito entre as nações

Conselho Mundial da Paz faz 70 anos, em defesa da humanidade
Conselho Mundial da Paz faz 70 anos, em defesa da humanidade

Neste 21 de abril, transcorreu o 70º aniversário da fundação do Conselho Mundial da Paz (CMP). Ao longo dessas sete décadas, o CMP sempre lutou contra a guerra, pela paz mundial, denunciou o sistema imperialista, cultivou a solidariedade entre os povos e a unidade com as forças democráticas e amantes da paz.

Este ano, em seu 70º aniversário, o CMP, as organizações que dele fazem parte e entidades amigas têm priorizam o fortalecimento da unidade e a amplitude de sua ação para enfrentar as crescentes ameaças de guerra.

Ao cumprir seu septuagésimo aniversário, o CMP realiza ações não só de celebração. No bom combate, honra sua trajetória, desenvolvendo as ações prioritárias da sua agenda de lutas contra as guerras, as agressões, a opressão, o colonialismo e a militarização do planeta.

A fundação do Conselho Mundial da Paz tem sua origem nas conferências internacionais realizadas por intelectuais e trabalhadores em 1949 e 1950, quando se organizou um amplo e ativo movimento internacional para defender um novo mundo após a catástrofe da Segunda Guerra Mundial. Dos horrores da guerra, com milhões de mortes, da devastação e ignomínia que foi o uso da bomba atômica pelos Estados Unidos contra o povo japonês em Hiroshima e Nagasaki, homens e mulheres, jovens e trabalhadores tiraram a convicção de que tal tragédia não podia se repetir. E passaram à luta, muitos já engajados na resistência antifascista, assumindo o compromisso que reforçamos hoje, diante das graves ameaças da nova conjuntura.

O CMP sempre esteve ao lado dos povos e se mobilizou junto a entidades amigas, como a Federação Mundial da Juventude Democrática, a Federação Democrática Internacional de Mulheres e a Federação Sindical Mundial, entre outras, ampliando a luta pela paz, a emancipação dos povos e a amizade em prol do progresso social. Deste objetivo primordial depende a resistência anti-imperialista, a defesa da democracia, da independência e autodeterminação dos povos e pela vigência de instituições capazes de construir uma nova relação entre os povos.

Não por casualidade, as políticas imperialistas acarretam a violação sistemática dos princípios da Carta das Nações Unidas adotada em 1945 - a não ingerência nos assuntos internos e a igualdade entre as nações - como fundamentos para a construção da paz mundial.

Desde cedo o imperialismo estadunidense se configurou como o principal antagonista desses princípios. A seguir aos bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki, os EUA lideraram a criação da maior máquina de guerra imperialista do planeta, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em 1949; lançaram-se em guerra na Península Coreana em 1950-1953; engendraram cruentos golpes militares para instaurar regimes subservientes na América Latina desde os anos 1950 até hoje, embora nos dias atuais o façam com novas táticas; e conduziram a horrenda guerra contra o Vietnã, cometendo crimes de lesa-humanidade pelos quais seguem impunes, como o uso do Agente Laranja contra a população, com consequências catastróficas e duradouras.

O CMP se opôs firmente a cada uma dessas guerras e golpes patrocinados pelos EUA e seus aliados. Ao longo de todas essas décadas, o CMP apoiou sem vacilar os povos em luta por libertação nacional contra o colonialismo e contra as ocupações na África, América Latina, Ásia e Oriente Médio. Recentemente, opôs-se às guerras dos EUA e da OTAN contra a ex-Iugoslávia, o Iraque, Afeganistão, Líbia e Síria, que continuam enfrentando as consequências da agressão imperialista.

Em uma das frentes mais importantes de ação, o CMP combate manobras desestabilizadoras do imperialismo estadunidense em aliança com forças golpistas e reacionárias na América Latina e Caribe, forças cujo desprezo pela democracia e o diálogo é evidente na agressividade da sua guerra midiática, política e econômica contra países soberanos e suas instituições nacionais, com o fim de impor governos subalternos a seus vis desígnios.

Por isso, neste mês de abril estivemos na República Bolivariana da Venezuela, em missão de solidariedade com seu povo, em conjunto com nossa coirmã, a Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD). Naquele país constatamos o vigor da resistência do povo e da sua liderança legítima, o governo do presidente Nicolás Maduro, reeleito e referendado nas urnas e nas ruas. O CMP rechaça a interferência externa, as ameaças de agressão militar e o reconhecimento ilegal de um golpista autoproclamado presidente, sem qualquer respaldo popular. O CMP reafirmou seu apoio ao povo venezuelano em defesa de seu direito de viver em paz.

Igualmente com a FMJD, em outubro de 2018, visitamos a Síria para manifestar apoio a este heroico povo, que desde 2011 enfrenta os bandos armados e terroristas de que as potências encabeçadas pelos EUA e seus aliados se servem para destruir a nação Síria. Já são nove anos de uma guerra sangrenta que provocou grande destruição, mas não abateu a vontade popular de defender a nação.

Em apoio resoluto aos povos que resistem e lutam, também nos mobilizamos em solidariedade com os povos da Palestina e do Saara Ocidental pelo fim da ocupação militar e a colonização dos seus territórios, pela libertação nacional e a paz; com Cuba revolucionária e humanista, que segue enfrentando o criminoso bloqueio estadunidense há seis décadas e assim mesmo é um exemplo de solidariedade e amizade; com o povo coreano pela reaproximação entre a República Popular Democrática da Coreia e a República da Coreia, pela paz, a desnuclearização, a estabilidade e o fim das ameaças militares também encabeçadas pelos EUA; com o povo de Porto Rico pela independência face aos Estados Unidos; com o povo argentino pela recuperação das Malvinas usurpadas pelo Reino Unido; com o povo iemenita vítima da catástrofe humanitária causada pela guerra de agressão liderada pelos sauditas, respaldados pelas potências imperialistas; com o povo iraniano frente à reiterada ameaça de guerra dos EUA e Israel, sob o pretexto do seu programa nuclear, já objeto do acordo diplomático que o governo Trump denunciou unilateralmente, entre outros.

Temos combatido e rechaçado a militarização acelerada do planeta, a corrida armamentista que ameaça à propria existência da humanidade.

Nesse quadro, reforçamos e ampliamos iniciativas pela abolição das armas nucleares, sempre inspirados no exemplo do Apelo de Estocolmo, documento inaugural do CMP, lançado em 1950 e assinado por centenas de milhões de pessoas; pela dissolução da OTAN; a campanha internacional pela abolição das bases militares estrangeiras, com ações como o Seminário Internacional já em sua sexta edição, que se realiza em 4 e 5 de maio em Guantánamo, de onde lançamos nossa veemente declaração de oposição frontal à odiosa e permanente violação da soberania da altiva nação caribenha e a campanha global à qual aderimos, cuja primeira conferência mundial se realizou em Dublin em 2018.

Nossos desafios são imensos. Enfrentamos forças obscurantistas que buscam impor seu ditame aos povos, com o objetivo de garantir o saque dos seus recursos e o controle das rotas estratégicas, respaldando regimes servis ou promovendo a desestabilização e os golpes para instaurar forças submissas nos países onde vigoram governos patrióticos e populares. Onde há resistência, como vemos na Síria e na Venezuela, a tática do imperialismo consiste no cerco militar, econômico e político, nas ameaças e agressões, das quais a maior consequência é o massacre e o sofrimento dos povos.

As forças da paz unem-se diante da gravidade da encruzilhada histórica em que vive a humanidade. Resistimos às guerras e às agressões e ao retrocesso civilizacional que se anuncia com a ascensão de forças antidemocráticas e obscurantistas que agridem nações e povos, pondo em risco o futuro da humanidade, quando as potências aglutinadas na OTAN, com os Estados Unidos à frente, declaram guerra a todo e qualquer governo que resista aos seus desmandos, sob os mais espúrios pretextos.

Os povos erguem a voz que ressoa em todo o mundo, a voz da luta pela libertação e a paz, que, amplificada pela unidade entre todas as forças que se opõem à guerra, em solidariedade e fraternidade, será capaz de deter a marcha catastrófica do imperialismo para derrotá-lo e finalmente construir um mundo de amizade e respeito entre as nações.

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