Contaminada com Bolsonaro, Covid-19 dá entrevista coletiva

O colunista Gustavo Conde simula uma entrevista coletiva com a Covid-19, aflita por ter sido contaminada por Bolsonaro. Ela diz: “é muito difícil. Eu e minha família sempre vimos em Bolsonaro uma espécie de aliado, um dos nossos. É uma traição ser contaminada por alguém tão próximo”. O vírus ainda explica os sintomas: “boca seca, vontade de mandar todo mundo calar a boca, vontade de matar, vontade de mentir, vontade de vomitar por nojo de mim mesma”

Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
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Entrevista Coletiva com a Covid-19, logo após ser confirmada sua contaminação com Bolsonaro:

- Como a senhora está se sentido?

- Mal.

- A senhora não teve medo de se contaminar com Bolsonaro?

- Muito. Jamais pensei que passaria por isso.

- Como a senhora se sente, depois de ter sido tão bem acolhida no Brasil, em ter de enfrentar o drama de ser contaminada por algo tão perigoso e letal como Bolsonaro?

- É muito difícil. Eu e minha família sempre vimos em Bolsonaro uma espécie de aliado, um dos nossos. É uma traição ser contaminada por alguém tão próximo.

- Quais são os sintomas?

- Boca seca, vontade de mandar todo mundo calar a boca, vontade de matar, vontade de mentir, vontade de vomitar por nojo de mim mesma.

- Como a senhora pretende proceder para combater a doença?

- Estar contaminada por Bolsonaro é tão repulsivo, tão nojento, tão asqueroso, que, sinceramente, eu tenho vontade de me matar e acabar com tudo. A gente fica dominada por instintos suicidas e homicidas ao mesmo tempo. A gente emburrece. A gente perde a consciência, a referência de tudo. Por isso, eu lamento muito ter me contaminado neste momento. Eu e minha família estávamos muito bem instalados aqui no Brasil, com o apoio do governo, com o apoio das pessoas que pressionaram para abrir o comércio e conseguiram. Calculem a minha felicidade com o governo de vocês? Mas, a realidade é cruel. Estar infectada por Bolsonaro é umas piores sensações que já experimentei em toda a minha vida.

- A senhora aguarda a vacina?

- Aguardar, aguardo, mas como vou ficar tranquila sabendo que o jornalismo do seu país apoia esse agente agressor? Que as elites do seu país apoiam este elemento letal? Eu estou considerando a hipótese de pegar minhas coisas e voltar para a China. O país de vocês é muito avacalhado.

- A senhora vai emitir uma nota de repúdio, entrar em uma frente ampla, alguma coisa nesse sentido?

- Me poupe. Eu sou viral mas não sou idiota. Estou no seu país porque fui convidada. Não vim aqui por livre e espontânea vontade.

- Se a senhora superar a infecção, quais são seus planos?

- Fazer uma série na Netflix e escrever um livro.

- Quer deixar alguma mensagem aos brasileiros?

- Por supuesto: quero agradecer a acolhida maravilhosa que vocês deram a mim e à minha família.

- A senhora é argentina?

- Não. Lá não me aceitaram.

- Uma última mensagem?

- Sim; fora, Bolsonaro. Sai de mim, seu animal pestilento duzinferno.

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