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Adilson Roberto Gonçalves

Pesquisador científico em Campinas-SP

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Costumes mal-acostumados

Quando dão o pão, são santos; quando questionam a fome, são subversivos. Por fim, a questão das drogas, um assunto sempre enviesado

Rodrigo Pacheco (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)
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Novamente, a chamada pauta de costumes invade a política, prejudicando ações de saúde pública. O assunto é recorrente e são alguns excertos de matérias e opiniões publicadas em jornalões que são rebatidos aqui.

Comecemos com o aborto, em que a Folha de S. Paulo foi até corajosa ao ter um posicionamento lógico e voltado à saúde e direitos da mulher no Oito de Março deste ano, quando se referiu como conquista histórica a introdução desse direito na Constituição Francesa. Porém, com o Parlamento que possuímos aqui mais ao Sul, há pouca esperança por avanços na questão do direito reprodutivo. E também lembrar que a palavra-chave para a questão é descriminalização e não liberação do aborto, como pregam os retrógrados direitistas. Direitistas associados à religião que, vejam só, levou o advogado Nicolau da Rocha Cavalcanti a tratar da “nossa matriz católica”.

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Curioso que, ao defender o catolicismo, ele fez questão de explicitar primeiramente seu robusto e significativo lado mau em artigo publicado no Estadão (27/3). Creio que, inspirado pelo feriado santo que se aproximava, ele exagerou ao trazer questões climáticas e a criação do SUS como parte dessa boa causa “cristã e católica” – sim é isso que ele afirma –, esquecendo-se das Comunidades Eclesiais de Base, essas, sim, diretamente relacionadas aos anseios e necessidades da população, e que foram perseguidas em diferentes momentos por distintos papas.

Quando dão o pão, são santos; quando questionam a fome, são subversivos. Por fim, a questão das drogas, um assunto sempre enviesado. Julita Lemgruber e Sidarta Ribeiro acertaram em cheio no alvo da hipocrisia e dos interesses escusos por trás da discussão da proibição de algumas drogas no Parlamento e no STF com o artigo “Mais que no pé: um tiro na cara”, na Folha de 20/3. Eles citam a pesquisa “Um tiro no pé”, realizada pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC).

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O relatório apresentado (https://drogasquantocustaproibir.com.br/biblioteca/um-tiro-no-pe-relatorio-completo/) é rico tanto em detalhes quanto nos valores que a sociedade paga para manter a proibição. Porém, pouco adiantarão o alerta e a comprovação financeira e econômica de tais ações inócuas, pois aos parlamentares e operadores do Direito falta saber a ciência, restando uma insustentável paciência. Que mais vozes como as dos dois articulistas se imponham para que possamos discutir a questão das drogas no âmbito da saúde pública.

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