Cuba: a obsessão americana

Barack Obama continua ampliando os projetos para insurreição na ilha, ou melhor, "promover a democracia", como ele diz

Os Estados Unidos foram flagrados, mais uma vez, em um novo e vergonhoso capítulo de subversão contra Cuba. O programa ZunZuneo, uma espécie de 'twitter cubano', criado pela Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional - USAID -, tinha como objetivo desestabilizar o governo do país caribenho.

A rede social de mensagens através do telefone celular para fomentar a dissidência entre jovens cubanos driblava, além da rigorosa regulamentação da internet local, qualquer alusão ao envolvimento do governo americano. "Isso é absolutamente crucial para o sucesso da missão", disse um dos gerentes do projeto. Mas a farsa e o imenso custo do programa, encerrado em 2012, acabaram vindo a público.

Apesar do governo americano vir reduzindo, desde a crise mundial de 2008, as despesas em diversos setores e ainda contar com uma alta taxa de desemprego, o financiamento de ações subversivas contra o governo cubano não diminuiu. Aliás, mesmo com o desaparecimento de todos os países socialistas do leste europeu, incluindo a URSS, as verbas e políticas hostis em relação a Cuba aumentaram.

O que antes era justificado como ameaça comunista, atualmente é conduzido sob o argumento da ausência de democracia. Lei Torricelli, Lei Helms-Burton, vale tudo nesse jogo sujo e às claras para derrubar o regime socialista por meio do estrangulamento econômico.

Barack Obama continua ampliando os projetos para insurreição na ilha, ou melhor, "promover a democracia", como ele diz. Mais de 30 milhões de dólares anuais são direcionados para os meios de comunicação, como a Radio e Televisão Martí, violando os regulamentos estabelecidos pela União Internacional de Telecomunicações. Mas quem consegue fazer os EUA cumprirem alguma lei?

O apoio quase unânime dos estados membros das Nações Unidas para pôr um fim ao bloqueio econômico, que já dura mais de cinquenta anos, tem sido ignorado sistematicamente pelo governo dos EUA. O prejuízo econômico direto causado ao povo cubano pelo bloqueio é desumano.

Desde a revolução comandada por Fidel Castro, em 1959, que Cuba passou a ser a maior obsessão para os Estados Unidos. Virou uma questão de honra o total desmoronamento de um regime que ousou não se submeter aos ditames do Tio Sam. Nenhuma experiência política, econômica, social e cultural pode ser concebida sem o carimbo USA.

Será que ainda existe quem acredite nos ideais libertários que eles dizem difundir mundo afora? Aonde chegam, alimentam a discórdia. 'Liberdade', 'desenvolvimento', 'democracia', eufemismos usuais em suas golpistas organizações espalhadas por vários países.

Independente do governante americano de plantão, a ideia de que Cuba e toda a América Central é seu quintal não muda. Os Estados Unidos não conseguem aceitar a permanência de Cuba como símbolo de resistência às suas ambições imperiais. Não se conformam que possa haver um modo de vida diferente.

Não se trata de louvar o regime cubano de partido único e falta de pluralismo, mas de respeitar a soberania de seu povo e seu espaço. Se o ideal para alguns é o enriquecimento pessoal ou tornar-se uma celebridade midiática, outros podem ter diferentes sonhos.

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