Culpa, responsabilidade e decoro

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Tempos estranhos e perigosos esses em que estamos exercitando as nossas humanidades. De um lado, em especial nas rede sociais, tudo é debatido, louvado ou criticado e de outro boa parte dos comentários são superficiais e agressivos. Costumes e valores que se julgavam esquecidos “saem do armário”, a História é negada, o convívio humano se deteriora e a ciência fica em segundo plano diante de conveniências e crenças.

E o nosso Brasil enfrenta um panorama adverso em várias frentes: PIB em baixa, inflação e desemprego em alta; incêndios e desmatamento, pandemia que não cede, um estado sem energia elétrica e falta d’água há dias, isso tudo e muito mais.

Daí grupos se engalfinham, o Brasil está dividido entre esquerda e direita, direita contra a direita extrema e alguns notórios radicais tentando se disfarçar de centristas. Dedos em riste apontam para outrem em tom acusatório de culpa.

Aqueles que acreditam no Bolsonaro afirmam que a oposição e a mídia (sempre ela) colocam a culpa de tudo no Jair (e em seus auxiliares e seguidores). Enquanto os demais reafirmam a culpa do governo central, da pandemia a outras pragas que nos assolam. Assim mais uma confusão se estabelece.

Acontece que as pessoas geralmente confundem culpa com responsabilidade.

De fato são conceitos próximos, quase paralelos, mas muito diferentes entre si. A culpa tem a ver com a ação direta de alguém, é uma transgressão, um crime, um delito, uma falta, uma infração. Já a responsabilidade significa o dever de assumir o compromisso com algo ou alguém, de modo a responder pelos eventuais efeitos. Portanto, mesmo que alguém não tenha interferência direta em determinada causa poderá responder às suas consequências.

A ideia de responsabilidade é especialmente válida quando alguém assume posições hierárquicas, de mando, de chefia etc. tanto nas esferas privadas quanto nas públicas. Assim um CEO, um primeiro mandatário nos governos de qualquer dos seus três níveis, é o responsável por tudo que acontece ou deixa de acontecer na empresa, no país, no estado ou no município.

Muito bem, nessa linha é óbvio que o Presidente Bolsonaro não inoculou o vírus, nem tacou fogo na mata, nem provocou a queda terrível no fornecimento de energia no Amapá e nem diretamente demitiu em massa. Não determinou a alta nos preços dos alimentos e por aí afora. Não agiu diretamente em outros fatos que compõem o caos instalado e que se aprofunda.

Mas tem absoluta responsabilidade sobre tudo o que acontece no país. Minimizar a pandemia, negar o desastre ambiental, politizar a vacina, tentar terceirizar as responsabilidades, ameaçar a oposição e a mídia, desafiar organismos internacionais como a OMS e a ONU, tomar atitudes contra outras nações e seus governos é sim absoluta falta de responsabilidade. É irresponsabilidade que pode configurar crime.

E “last but not least” vem a questão do decoro que deve ser entendido como o acatamento das normas morais; dignidade, honradez, pundonor. Em suma é o respeito às regras de convivência. O primeiro mandatário precisa dar bons exemplos. Nesse quesito a nota do Minto é zero. Quanto a isso ele é o único culpado. Parece um ser pré-histórico, um autêntico troglodita.

Pobre Brasil!

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