Culturicídio

"O momento é grave e aprofunda a ideia de que o papel transformador da cultura está sob ataque direto"

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O descaso absoluto com que o governo Bolsonaro trata a área da Cultura é inédito na história recente do Brasil. Rebaixada à secretária, a pasta da Cultura foi entregue a um diretor de teatro que emulou um discurso nazista, passou pelas mãos de Regina Duarte – que não fez nada de útil e ainda chegou a relativizar a tortura e cantar jingles da ditadura militar em uma entrevista constrangedora – e agora parou nas mãos de um ator obscuro que faz discursos bolsonaristas em redes sociais.

O momento é grave e aprofunda a ideia de que o papel transformador da cultura está sob ataque direto. É lamentável constatar a rapidez e a fúria deste desmonte. Não faz tanto tempo que projetos como o Cultura Viva e os pontões de cultura reconheciam o protagonismo dos territórios na prática cultural cotidiana.

Todos aqueles que pensam e vivenciam a cultura em sua dimensão política inclusiva e cidadã precisam se mobilizar. O deslocamento da política pública cultural, do campo político para o campo meramente administrativo, não é desprovido de intencionalidade: desmobilizar o povo brasileiro para fazer o serviço de desmonte das políticas públicas de bem estar social e aniquilar os direitos dos trabalhadores, para favorecer os rentistas. Esvaziar o campo potencialmente transformador e inclusivo da cultura, para atingir estes objetivos, é estratégico.

Precisamos lutar por uma política pública focada na diversidade cultural e no diálogo com a sociedade civil, colocando em pauta temas como a gestão compartilhada e a transversalidade das políticas públicas culturais, que não podem mais ser encaradas de cima para baixo.

Nos tempos de pandemia, o setor cultural ainda é mais atingido, com uma quantidade imensa se artistas e agentes culturais passando por dificuldades decorrentes do necessário isolamento para combater a Covid-19. Além da necessidade de auxiliar esses trabalhadores, os governos, em todos os níveis, precisam entender que a economia da cultura é ativo importantíssimo para um futuro processo de reerguimento da economia do país, dos estados e municípios.

O campo em que a economia da cultura se desenvolve é vasto. Ele engloba as indústrias culturais – como a do audiovisual, a da música e a editorial -, mas também envolve setores não industriais e atividades locais de pequenas dimensões, que podem ter caráter individual e associativo, com forte impacto no território em que se articulam.

Contra esse desmonte assassino promovido pelo governo federal em relação às políticas públicas para a cultura e seus agentes, mais que nunca é preciso falar, debater, agir, mobilizar. Precisamos assumir esse compromisso. Além da política genocida expressa no descaso com os brasileiros vitimados pelo coronavírus, o governo é também culturicida: um exterminador da cultura como campo de exercício da arte e da liberdade.

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