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Leonardo Attuch

Leonardo Attuch é jornalista e editor-responsável pelo 247.

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Cunha entra de vez na linha de tiro

"O procurador-geral Rodrigo Janot apontou sua metralhadora para toda a cúpula do PMDB, incluindo figurões como o ex-presidente José Sarney e os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR), mas os movimentos recentes do Poder Judiciário, tanto em Brasília como no Paraná, que parecem articulados, indicam que a bola da vez é o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ)", diz Leonardo Attuch, editor do 247; "O cerco parece ter se fechado de vez e o que ninguém sabe ainda ao certo é como a queda de Cunha, incluindo sua eventual prisão, afetará o governo interino de Michel Temer"

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Brazil's Vice President Michel Temer (L) is seen near President of the Chamber of Deputies Eduardo Cunha during the Brazilian Democratic Movement Party (PMDB) national convention in Brasilia, Brazil, March 12, 2016. REUTERS/Ueslei Marcelino (Foto: Leonardo Attuch)
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O procurador-geral Rodrigo Janot apontou sua metralhadora para toda a cúpula do PMDB, incluindo figurões como o ex-presidente José Sarney e os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR), mas os movimentos recentes do Poder Judiciário, tanto em Brasília como no Paraná, que parecem articulados, indicam que a bola da vez é o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). 

Até porque ninguém acredita que Sarney receberá uma tornozeleira eletrônica, aos 86 anos, apenas porque indicou um advogado a Sergio Machado, o ex-presidente da Transpetro que se converteu em espião. Ou ainda que Renan, presidente do Congresso, será preso por defender uma mudança legislativa, a alteração da lei das delações premiadas, que ele já havia sugerido publicamente. Jucá é quem mais se complica nos áudios de Machado, ao defender “estancar a sangria” da Lava Jato, mas não parece ser um alvo prioritário.

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Quem realmente está na mira é Cunha. Isso ficou claro com a denúncia formulada pelo Ministério Público paranaense contra sua esposa Cláudia Cruz. Nela, há os dados constrangedores sobre gastos de quase US$ 1 milhão com roupas de grife e artigos de luxo e ainda a desmoralização da tese de que os trustes na Suíça não seriam contas no exterior. Para os procuradores, Cunha adotou métodos de modernos criminosos.

Em paralelo, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, deu cinco dias para que ele apresente sua defesa no processo relacionado à contratação de navios-sonda pela Petrobras, em que Cunha é acusado de receber US$ 5 milhões do delator Júlio Camargo. Se isso não bastasse, outro delator, Fábio Cleto, ex-diretor da Caixa indicado por Cunha, apontou contas no exterior ligadas a propinas do FI-FGTS, um fundo que era gerido pelo banco. Esta delação poderia levar até a outros parlamentares que fazem parte da numerosa “bancada de Cunha”. 

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O cerco parece ter se fechado de vez e, mesmo que ele escape da cassação, nada indica que terá devolvido o seu mandato – o que abre espaço até para sua eventual prisão, pedida por Janot. O que ninguém sabe ainda ao certo é como a queda de Cunha afetará o governo interino de Michel Temer.

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